releu. sorriu.
deixou até escorrer uma lágrima. mas, acima de tudo, estava incrédula: ''sou a mesma pessoa de seis anos atrás''.
seis anos! e nao simples seis anos - intensos seis anos, seis anos que entraram e sairam tanta gente da sua vida, saiu do colégio, está saindo da universidade, morou no exterior, planejou casamento, se viu sozinha, enlouqueceu, recompôs. não foram qualquer seis anos, foram intensos seis anos.
e ai entra a pergunta: intensos seis anos, mas eu continuo a mesma!
(claro, sejamos racionais, o amadurecimento intelectual é outros quinhentos) - cá falamos de racionalidade emocional.
pensa hoje, aos vinte e tantos anos, com a mesma fé e dedicação ao ato de amar que pensava antes de completar a chamada maior idade.
ai entra a pergunta: ao fazer essa constatação, ainda que descrente que isso seja tão real, deve ficar feliz ou triste?
é reconfortante saber que se é constante?
ou é apavorante saber que continua fazendo os mesmos erros?
erros?
é errado se dedicar por toda, inteirinha, ao amor?
acho que não.
lê coisas que escreveu, cheia de dor e rancor - reconhece-as como sentimentos atuais. acima de tudo, fica incrédula em pensar que um dia já se sentiu como está se sentindo agora! nem lembra daquela dor, parece tão menor comparada a essa.
incrivel como dois passos de distancia fazem tudo parecer menor. o oposto sendo real - falta lógica para percebemos que estamos sempre exagerando no momento que as coisas fervem.
se uma coisa que nestes anos deu pra aprender é que amar é o ato mais humano e mais digno que há. quando amamos, sofremos, penamos. mas, quando amamos, de verdade, quem mais sai ganhando é sempre a gente. porque a vida nao é feita de nada eterno. Clichê que ninguém tem coragem de aceitar: a vida não é eterna, nada é eterno, nem o que a gente mais luta para ser.
a vida é ondular (alguns insistem que é pendular)
as coisas vem e vão. são fantasticas e são ruins. são essenciais e são descartáveis.
o certo seria saber lidar com isso sempre, sem mais, nem menos. só aceitar.
como se aprende a lidar?
(essa é a grande pergunta... ruflem os tambores!)
- não se aprende. assim como o próprio movimento ondular, para chegar à crista, é necessario ir abaixo.
é, meu velho, tem gente que não acredita, mas tá ai uma das grandes artes da vida.