quarta-feira, 25 de novembro de 2009

cadê o meu chico?


De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Vida dos Outros

- A gente se conhece?
- Eu te conheço mas você não me conhece. O povo te adora por aquilo que você é. Eu vi você no palco... Você era mais você do que é agora.
- Então, você sabe quem eu sou?
- Sou eu público.
- Tenho que ir...
- Aonde?
- Para a casa de uma venha colega...
- Viu? Agora você não parece o que você é.
- Não?
- Não.
- Então você conhece bem essa CMS? Então você acha que ela é capaz machucar alguém que ela ama mais do que tudo... pela arte?
- Pela arte? Você já tem a arte. Seria um mau negócio Você é uma grande artista...Você não sabe?
- E você é um bom homem...
“Quando eu comecei meu turno ‘Lazlo' e CMS estavam discutindo sobre onde CMS deveria encontrar sua colega. Finalmente, ela sai. ‘Lazlo’ parece ficar triste. Depois de uns 20 minutos CMS volta para a surpresa de ‘Lazlo’ e a minha. Ele parece ficar muito feliz com isso. Atos vigorosos começam agora. Ela diz que nunca vai deixá-lo novamente. Ele diz, repetidamente: “agora eu tenho a força, agora eu irei fazer algo”.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

poesia assim


Pós tudo - Augusto de Campos

domingo, 8 de novembro de 2009

dor maior

eu experimentei a minha antítese.
e é amargo.
e eu não consigo tirar este gosto da minha boca

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

eu já não tenho mais resposta pois já não há mais perguntas.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mar Mediterrâneo, uma mísera piscina

Por você, aprenderia esperanto e traria Gorbatchev para uma série de palestras
Na casa da minha tia (onde todos beberíamos chá)
Na casa da minha tia (fofocando sobre a Perestroika)
Por você escreveria um livro sobre o insólito
um almanaque simples (óbvio!) - guia completo do amor
uma enciclopédia do utópico... um dicionário do amor!
E em cada verbete um singelo lembrete:
"em sua companhia quero estar"
Quero te ver de corpete, te guiar num Corvette e seguir sem destino pra chegar...

Minha intuição não me engana você faz ser tão Copacabana
E o inferno lembrar fim de semana!

Por você lecionaria iôga, tai-chi, terapia - se a fizesse feliz e distendida
Buscaria em shopping centers o elixir do Marajá
Comeria perdiz e ananás se estivesse prestes a te beijar...

sábado, 24 de outubro de 2009

was it the cure?


You're a zero
What's your name?
No ones gonna ask you
Better find out where they want you to go

terça-feira, 20 de outubro de 2009

olhe para o espelho e mande beijo

Melhor ama quem ama a si. É melhor amante aquele que se namora. É mais carinhoso aquele que se acaricia. É mais admirado aquele que se admira. Quem foi o mente fraca que inventou esse negócio de namorar o tempo todo? Pouco criativo o cara que achou que a gente só é feliz juntando as escovinhas de dente.
Já dizia o poeta que 'é impossível viver sozinho' - mas não tomem ao pé da letra! É impossivel ser feliz sem ter amigos, familia - sem alguém para conversar, confidenciar e trocar idéias. O homem não é uma ilha nem nunca será. Mas o melhor namorado está nos encarando no reflexo do espelho. Sorria para ele que ele te sorrirá de volta.
Promova o soltar as correntes; promova a liberdade social. Ame a si e assim amará todos com maior intensidade. Quem acredita que tristeza só se cura amando outra pessoa tem ainda muitos tombos para levar. A pedra no meio do caminho não é a solidão e sim é a insegurança, a vergonha e a auto punição. Melhor ama quem ama a si. É o único amor que pode ser eterno e o único que a traição só depende de nós. E é a única traição que não pode ser justificada.
É mais agradável com os outros aquele que consegue sorrir, humildemente, para a imagem que vê no espelho. E não é fácil. Amar não é fácil - facil é errar pelos excessos. Demorei para descobrir que eu não preciso de um alguém, do Senhor Alguém Maravilhoso, e sim que eu preciso amar quem tá sempre comigo: sem vaidades, sem prepotências e sem falsos moralismos. Quando o reflexo sorri para nós, aprendemos a nos apaixonar todos os dias.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

mudar, todo o dia.

É incrivel o que uma mente aberta pode nos proporcinar. O que pode distinguir alguém dos outros é a capacidade de ouvir, buscar, ler e selecionar o que quer seguir. É absorver o mundo ao redor e saber criar a nossa filosofia. Meu pensamento é meu, mas todos e tudo me ajudam a formulá-lo. Aqueles que eu amo e aqueles que eu rejeito.
Aprendi a observar. Não esteriotipar (pois ninguém é todo bom ou todo mal ou todo dia a mesma pessoa) e sim a analizar. Interesses, objetivos, meios de expressar vontades. Cada um, cada qual e assim aprendo quem eu quero ser ou não.
Uma das melhores coisas que eu fiz para obter tal auto-aprendizado foi sair de casa. Não foi fácil, ainda choro quando visito meus pais. Sair do meu cantinho, conviver menos com aqueles pessoas que me amam tanto e ir para um novo lugar onde eu tenho que ganhar meu espaço. Aqui, a casa é minha mas está em território desconhecido - e quem sabe, até meio hostil. Mas é o conviver com gente diferente, com gente que pensa diferente, com novas teorias, novas filosofias que mais me impressiona. Amo o desconhecido na mesma intensidade que o desejo.
Mente aberta para conhecer, para mudar. Ler, conhecer, ouvir, aprender - e selecionar. Mente aberta para mudar e viver em inconstancia. Viver à flor de tudo. A ponto de se distiguir pelo que é e não pela regra.

sábado, 17 de outubro de 2009

damien fuckin rice


So go play with your piano and write a mediocre song
About this shell of mediocrity: pretend there's nothing wrong.
I never thought you were a chicken shit:
I never thought of you at all.
Until you asked me to be part of it
And now you're showing me a wall.

I wouldn't want you to want to be wanted by me.
I wouldn't want you to worry you'd be drowned within my sea.
I only wanted to be wonderful and wonderful is true.
In truth, I only really wanted to be wanted by you.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

não pense, por favor

o nosso amor a gente inventa pra se distrair
e quando acaba, a gente pensa que ele nunca existiu

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

sorria, seu mundo bate à porta.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Estavelmente instável

ah, instabilidade... Ah, instabilidade - o que me faz ficar estavelmente humana. Graças a Deus, instabilidade. Por que não? Tem músicas que se eu ouvisse a uns meses atrás eu iria odiar, letras que se eu ouvisse semestre passado eu iria chorar. Músicas e letras que hoje me fazem rir dançando. Dançar rindo. Nada como um sono depois do outro. Nada como um sonho tomando o lugar de outro.
Hoje olhei para algo que eu sei que me faria mal. Que minhas amigas temiam que eu visse. Pavor, pavor. Mas não, eu só vi. Vi, analisei - achei erros de português. Nada mais. Não provocou uma dúvida, uma angústia - o que provocaria alguns sonhos atrás. Provocou risos, deboches. Mas só também. Incrível como coisas que eu esperei tanto tempo para ouvir hoje não ganham mais de vinte minutos do meu tempo para refletir. Até anteontem aquele letra arderia, hoje soa samba. Ah, instabilidade.
Hoje soa samba o que soava dor. Hoje é dança o que era lembrança. Nada como um sonho depois do outro, nada como um lápis de olho repassado encima de outro. Nada como um batom vermelho sobre a boca seca. É essa inconstância que nos faz consistentemente humanos - e, ah, que alívio: sou humana.
Ainda sou daquela espécie quase extinta que é meticulosamente descrita como intensa, forte e real. Eu sinto e ou digo ou explodo ou volto. Eu volto. Eu tenho meu tempo de recesso, meu tempo de lágrimas. Meus gritos abafados são alimento para minha força. Eu ainda digo que sou humana das boas: eu sinto sem precisar do manual fornecido pelas novelas e pelas propagandas comerciais. Eu nasci sabendo sentir, só sabendo sentir. Eu ainda sou madeira tosca e me nego a ser esculpida.
Quando vi os baques que enfrentei e percebo que não vou ser mais abalada eu olho para o símbolo disso que pus nas minhas costas: fênix. Para lembrar todo o dia: eu sou Fênix. Independente do que eu passar, eu acho alguma força. Eu morro. Eu nasço. Eu quebro meus discos, ouço novas músicas. Eu troco meu batom.
Instabilidade, obrigada por sem parte de mim.

domingo, 4 de outubro de 2009

ah,


meu aniversário foi ontem mais ainda to aceitando presentes,
hãn hãn

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

brasil, cadê a tua cara?.

É difícil ter orgulho consciente do Brasil, principalmente pelo fato que não faz parte do costume do povo. Podemos amar a Lapa, as praias do Rio, a fauna da Amazônia ou sei lá... a Iracema?!
Quando eu falo orgulho consciente é ter orgulho do nosso sistema interno. Sinceramente, alguém tem? As pessoas mais instruídas no nosso país tendem à desilusão ou à alienação. E, obviamente, nova população ignorante vota naquele que der mais cestas básicas ou botijões de gás. Não que eu seja contra tais programas de apoio desde que seja acompanhado e não simplesmente um sistema de escambo por votos. E ai chego onde queria: qual é o maior problema do Brasil? A educação.
A educação no Brasil é a origem de todos os problemas brasileiros. A 'des' educação, digamos assim. Na escola os pivetes aprendem mais é malandragem e o melhor jeito de se 'dar bem'. Mario de Andrade fez a melhor caritacura do povo brasileiro: Macunaíma, o Herói Sem Caráter. Macunaíma é o símbolo maior do 'jeitinho brasileiro'. O jeitinho do mais fácil, o jeitinho do mais rápido, o jeitinho do mais cômodo. Na escola, quantas vezes, as crianças tem educação social, política, econômica?
Eu digo: nunca. Apavora-me pensar o que devem ser os colégios estaduais e municipais já que vim de um dos colégios particulares mais tradicionais (e caros) da minha cidade e vejo que muito mais da metade tá 'nem ai' para o Brasil. Querem sair do colégio para entrar logo na faculdade para continuar fazendo festa, entrando no orkut, falando de futebol/carro/roupas e ganhar dinheiro. A parte chamada 'instruída' da nossa sociedade só quer ganhar dinheiro e morar em fortalezas enquanto o resto do nosso povo tá lá no morro usando drogas como uma saída e transformando os traficantes em Robins Hoods. Qual é o problema: educação!
Medidas de resolução? São lentas. Mas, em um país que todos visam o máximo prestígio pessoal de 4 em 4 anos (nosso mandato eleitoral) medidas para educação são quase que medidas altruístas. Altruístas? Sim, nossos políticos tem a mesma educação que nós - vale lembrar que eles vêem da mesma classe social que nós. E a maioria, como nós, foi instruída ao individualismo. Então, como aceitar alguém que reclame que 'todo o político é igual' e, ao mesmo tempo, se revolte quando um pobre menino qualquer lhe põe uma faca nas costas? Tudo é encadeado.
Tudo é encadeado a falta de educação. Um criança de favela que vê o traficante como 'o cara que trás algum dinheiro a comunidade' não terá incentivo nenhum de querer ser um trabalhador legal. Quando ele vê televisão, só ouve que os ricos roubam mais que os pobres e assim, que incentivo ele terá? Teria se estivesse numa escola descente. Com classes descentes, teto sem goteira e quadro negro inteiro. Professores poderiam ter mais autoridade se seus alunos tivessem algum interesse.
Quem criou o 'vagabundo' fomos nós. Quem criou os mendigos fomos nós. Quem criou a criminalidade fomos nós. E no Brasil, educar virou utopia logo, erradicação de problemas sociais também viraram utopia. Maior prova de tudo foi essa politicagem de reforma do vestibular. Eu já tinha arrepios ao pensar no sistema inconstitucional das cotas raciais e, com esse tal de 'novo ENEM', eu já acho muito difícil acreditar que um dia a educação brasileira pode melhor por vias da União. Várias vezes tive vontade de pegar um desses políticos desesperados por votos e sacudir-lhes o pescoço: REFORMA COMEÇA PELA BASE! E que pondo os menos privilegiados aonde o sistema educacional ainda é relativamente bom (faculdades federais) só prejudica tanto a faculdade quanto os próprios alunos. Reforme começa pela base, pelo amor de Deus!
Agora a politicagem foi maior: a oposição conseguiu comprar o gabarito do ENEM e descreditar a maior campanha política do futuro candidato do prefeito de São Paulo. Sinceramente? Achei lindo. Lindo porque agora, quem sabe, todos os víeis populacionais (que quiserem perceber) verão o quanto marionetes políticas nós mesmos nos transformamos.

say hello to polly may

she can't tell the night from the day
they threw her out in the street
but just like a cat she landed on her feet
and say a word for Joanna Love
she ain't got nothing at all
'cos everyday she falls in love
and everynight she falls when she does

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

aniversário

Esse negócio de aniversário me deixa nervosa. Esse negócio de metafísica me entristesse demais. Qual é a verdade de fazer anos? Mais um vivido ou mais um próximo do fim? Depende do animo do aniversariante. Aquele que está num tranquilo estado de espirito, não necessariamente em êxtase, mas que está tranquilo com o que tem provavelmente verá tal data como um ponto para rever tudo de bom que já aconteceu e levará com certa credibilidade aqueles tantos "tudo de bom pra ti" que se recebe de gente desconhecida. E quem está no meio do caminho? E quem não é feliz nem triste nem poeta? Como vemos essa data? Como acordar e ver que mais um ano passou sem trazer tantas resoluções, soluções, opções...? E quem não se sente nem bem nem mal, que tem aquela angústia no peito, aquele nó na garganta?
Não é uma questão de copo meio cheio ou meio vazio. Os olhos veem o mesmo copo. A perspectiva pode até ser outra, mas vemos o mesmo copo. Eu que choro nos aniversários quando acordo e tu que faz um café da manhã especial - nós vemos o mesmo copo. Você comemora tudo que já viveu? Eu não sei celebrar todo o tempo que julgo já ter perdido.
Pensar demais me arrepia o pescoço. Pensar que completo mais um ano e minha vida continua igual. Aparentemente diferente a cada ano, mas sistematicamente igual. Igual na minha insatisfação, no meu tédio, na minha náusea. Mais um ano que trouxe, talvez, coisas positivas mas o saldo ainda é negativo.
Não é uma questão de copo meio cheio ou meio vazio mas de quantos copos existem. Quantos já foram, quantos ainda virão? Quantos engoli a seco e quantos deliciei com prazer? Mas nenhum saciou minha sede. Nenhum. Minha sede vem lá de dentro e é enorme. O copo não precisa ser muito grande mas a água que irá me saciar, que eu ainda desconheço, tem que ser densa. Muito densa.

sábado, 19 de setembro de 2009

"O que será que será?
Que todos os avisos não vão evitar?
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar?
E todos os destinos irão se encontrar?
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo"

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

por isso estudo literatura antes de dormir

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
Amar e malamar,
Amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidadros, amar?
(...)
Amar solenemennte as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão sem ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
(...)
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita"
(Carlos Drummond de Andrade)

"Sonhei ter sonhando
Que havia sonhado.
Em sonho lembrei-me
De um sonho passado:
O de ter sonhado
Que estava sonhando.
Sonhei ther sonhando...
Ter sonhado o quê?

Que havia sonhando
Estar com você.
Estar? Ter estado,
Que é tempo passado

Um sonho presente
Um dia sonhei.
Chorei de repente,
Pois vi despertado,
Que tinha sonhado
(Manuel Bandeira)



com Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinicius de Morais, Cecilia Meireles e Mario Quintana - como pode ter o Sarney na Academia e o Paulo Coelho como besteseller?
- santo não pop (antigo e sem status quo) não faz milagre não.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

i wont hide my love from you away

09/09/09 - Beatles' day

enfim, mesmo sendo, possivelmente, o maior golpe de marketing internacional já feito da história (com o lançamento remasterizado de toda a discografia e o Rock Band:Beatles) eu não posso deixar de dar minha humilde homenagem ao Mestres. Mestres com maiúsculo.

"All th lonely people, where do they all come from?
where do they all belong?"
"All these places had their moments with lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living in my life I've loved them all"
"Picture yourself in a boat on a river with tangerine trees and marmalade skies
Somebody calls you, you answer quite slowly a girl with kaleidoscope eyes..."

"When I get to the bottom I go back to the top of the slide
Where I stop and I turn and I go for a ride
Till I get to the bottom and I see you again!"

"With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps..."

"Close your eyes and I'll kiss you tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true!"

"'Cause I've been in love before and I found that love was more
Than just holdin' hands..."
"And anytime you feel the pain, hey, Jude, refrain,
Don't carry the world upon your shoulders."
"And when the broken hearted people
living in the world agree there will be and answer
let it be..."
"You're asking me, will my love grow?
I don't know, I don't know
You stick around now it may show..."

Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.

"There's nothing you can do that can't be done
Nothing you can sing that can't be sung
Nothing you can say but you can learn how the play the game
It's easy - all you need is love!"

i'm he as you are he as you are me and we are ALL TOGETHER.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

deixando o bairrismo de lado...

eis aqui a vergonha porto-alegreense: Um famoso Não-Sei-Quem da nossa rica midia gaúcha (acredito que todos os entrevistados sabiam o nome dele e com quem ele namora) resolve fazer uma entrevista pra galera com fotos de figuras históricas, no centro de Porto Alegre, e ver qual e que dá. Resultado: preciso responder? Meus gritos, vendo o video, foram de pavor.

Brazilian Are Not Stupid

Fidel é Hitler? Um garoto do 2º ano não sabe quem é Bill Clinton? Jimi Hendrix é Michael jackson - ok, eles pelo menos tinham o mesmo tom de pele no inicio... Fidel é Che? CHA FAZIA MÚSICA?
Meu Deus... vale a pena ver - só não cortem os pulsos nem fiquem com medo do futuro da população brasileira, ok....


e a parte um? MEU DEUS A PARTE UM....

Brazilians Are Not Stupid I

esse é sem comentarios.. Quando a guria disse que o triangulo TEM DOIS LADOS eu juro que quase fiz uma fratura craniana. Eu reclamo que ninguém se manifesta por causa da crise do Senado e do Sarney e ai um emo de merda (literalmente) me diz que não tem senado no Brasil...
QUATRO GUERRAS MUNDIAIS... pronto, cortei os pulsos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

but clever ain't wise

so fuck forever
if you don't mind
i'm stuck forever
(i'm stuck) in your mind

ainda vou te cantar

ainda vou te cantar, te recitar, te escrever, te declamar - nos tatuar.

É, Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você.

É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,
Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

que você eu sempre fui só se você e você sempre foi só se mim - sim, naquele nosso lugarzinho secreto que nos encontramos em sonhos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Diga ao primeiro que passa que eu sou da cachaça mais do que do amor
Diga, e diga de pirraça, de raiva ou de graça, no meio da praça, é favor.
Mas fica
Mas fica ao lado meu
Você sai e não explica onde vai
E a gente fica sem saber se vai voltar...

Mas fica, meu amor, quem sabe um dia por descuido ou poesia você goste de ficar!

domingo, 30 de agosto de 2009

morrer para viver.

Hoje ela decidiu morrer. Transcender daquele corpo que já parecia tão estranho no espelho. Fugir de todas as memórias dolorosas que se deparava no labirinto de seus pensamentos. Ela já não aguentava mais sentir-se uma refém daquele pessoa que mandavam conjugar na primeira voz do singular. Aquilo refletido não sou eu. Aquele sorisso não é meu. Meu sorisso é cansado, forçado, inexistente - pensava ela.
Ela é um produto de tudo que consumiu. Seus livros, seus filmes, suas músicas - seus melodramas. A busca infita pela concretização da ilusão. Querer sonhar vivendo. Viver um sonho. Morrer é já seu único sonho. Hoje ela decidiu morrer. Quem sabe assim, viver? Deixar de ser vítima de si mesmo. Morrer para viver pois vivia já morta.
Seus desejos infundadados, seu temperamento instável demais. Aquele corpo que inchava e cansava muito mais rápido que a sua mente. Aquele meio social que impedia seus objetivos. Seu subjetivo bloqueado por um padrão social inerte. A busca frustrada por alguém que a entenda completamente, que goste de seus filmes, músicas, livros e que concorde com suas ideologias. Alguém que além de amor adicione a sua vida vida. Alguém novo, alguém novo pode ser meu remédio - pensava ela.
Alguém que tenha o mapa do seu labirinto cerebral. Alguém que a guie, que a acompanhe até a libertação. Libertação de idéias, leveza de pensamentos. Ela já não sabe se vale ainda morrer. Ainda não encontrou uma porta aberta, mas quem sabe a próxima? Vai ver a próxima está aberta e lá está o que sempre buscou. Tente mais uma vez, mais outra e mais outra.
Ela é fruto de tudo que já sentiu e a contrariedade de seus pensamentos é infinita. O Amor que é maior que o Odio que é maior que o Amor. A Dor que é maior que a Paz que é maior que a Dor.
E a Esperança que é menor que tudo que é maior que todos. É a Esperaça que desaparece e cresce e preenche e faz ela dar um passo para trás.

"Só porque estou perdendo não significa que eu estou perdido, não significa que eu irei parar, não significa que eu não vou enfrentar.
Só porque eu estou me machucando, não significa que estou machucado, não significa que eu não recebi o que eu merecia - nem melhor nem pior.
Eu só me perdi. Todo o rio que eu tentei atravessar; toda a porta que tentei estava chaveada. E eu só estou esperando que o brilho se apague....
Você pode ser um grande peixe em um pequeno lago - não significa que você ganhou pois sempre pode vir um peixe ainda maior que você..."

and we sing.

now i never meant i to do you wrong
- that’s what i came here to say
but if i was wrong then im sorry
but don’t let it stand in our way
cause my head just aches when i think of the things
i shouldn’t have done

but life is for living we all know and
i don’t want to live it alone
sing ah, ah, ah....
sing ah, ah, ah...
and you sing ah, ah, ah!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

je suis très desolé

Desolar - v.t. Despovoar; devastar; arruinar. / Afligir, consternar.

Despovoe minha vida, devaste meus dias - arruine minha rotina.
Desole-me.
Despovoe minha alma, devaste minha mente - arruine minhas paixões.
Desole-me.
Já não há mais o que desolar.
Não há mais o que afligir - nada mais se consterna.
Devolva-me minha ordem.
Povoe minha vida, preencha meus dias - organize minha rotina.
Console-me.
Povoe minha alma, vaste minha mente - arranje-me uma paixão.

Je suis très desolé - tu me désolait
Dês desole-me. Je demander grâce! Demander, demando, peço, imploro - grâce, grace, graça.
Je ne parlent pas français mais je parle pas la langue de la désolation!
I beg you mercy, whoever you are.

Devore-me, não há mais nada para devastar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

é sempre mesmo que acabe.

Ela vai mudar,
Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Mas espera que ele ligue a qualquer hora
Para conversar
E perguntar se é tarde pra ligar
Dizer que pensou nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ela aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Ele vai mudar,
Escolher um jeito novo de dizer "alô"
Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Mas evita ir até o telefone
Para conversar
Pois é muito tarde pra ligar
Tem pensado nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Para conversar
Nunca é muito tarde pra ligar
Ele pensa nela
Ela tem saudade
Mesmo sem ter esquecido que

É sempre amor, mesmo que acabe...

domingo, 23 de agosto de 2009

olha a festa, torcida é tricolor!


A preparação para ir ao jogo é sozinha algo já emocionante. Chegando perto daquele estádio a maré azul. Gente nova, gente velha, casais, pais e filhos. Todos ligados só por uma paixão: o time do coração. Arquibancada, sol no rosto, time em campo. Geral cantanto - eu cantando. Versos decorados, apaixonados. Hino do Estado, palmas e mais palmas. Os gritos, o não ver passar tempo. Gritar "filha da puta" para o juíz, avisar "o ladrão!", "ali, ali, ali!", "marca, porra!" e nos acharmos, cada um, um pouquinho técnico. Cantar, berrar. E o gol? Ah, o gol! Pula, grita, vibra, chinga, chora, abraça, pula, grita, vibra.
Ir ao jogo, tomar aquela cervejinha de copão de plástico, sair sem voz - está entre os top five da minha lista de coisas mais prazerosas do mundo.
Ainda mais quando teu time ganha de 4 a 1. (hehe)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

eu me amo.

Todos, se realmente procuramos absorver nossos sentimentos, temos cenas e momentos dolorosos na nossa memória que sempre tentamos evitar. Há sempre um filme, um lugar, uma música que cutuca a ferida e arde como fogo lento. E evitamos. Quantos filmes já não consigo ver, quantos desvios já fiz. Quantas melodias, instantaneamente, fazem surgir lágrimas nos meu rosto, todos os dias. Envergonhada, lembro de minha pequena teoria: medos são para serem enfrentados.
Conheci Chico com os vinis do meu pai, ainda pequena. Naquela época eu queria ouvir as loucuras do Queen ou os solos absurdos do Genesis - admito que, por muito tempo, deixei Chico, Elis, Tom, Vinicius de lado. Um tempo depois a música "Eu Te Amo" me foi apresentada por alguém que significou muito para mim. A música, obviamente, criou um único signicado para mim. Até hoje, quando eu botava todos os discos que tenho do Chico para ouvir e essa música começava a tocar, eu mudava na hora. Um dia, eu e meu pai ouvindo músicas, e começou; ele comentou "Que musica linda, ouve" e eu não aguentei fui lá e troquei para música seguinte. Ele me olhou e eu, já com tom explicativo, respondi: más lembranças...
E hoje, novamente, começou a tocar a música, aleatoriamente - ah não! Chega! Vou ouvi-la: e a beleza da música, a letra, a poesia! E pensar que nunca a ouvi até o fim por motivos tão vãs, frios. Ouvi-a três vezes consecutivas,me arrepiei todas e me arrependi, lembrendo de um outro bordão: "só não muda de idéias quem não as tem." - Graças a Deus!

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Eu Te Amo - Chico Buarque

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vanity Fair - fotos

Eu, na minha grande e besta ignorancia do mundo pop, tenho preferencia em uma revista de 'modinha' - Vanity Fair. Óbvio que eu não assino, compro ou leio o site. Eu simplesmente sou apaixonada pelo grupo, perfeitamente selecionado, de fotográfos que a revista tem.
Aqui vai mais uma paixão minha, confesso: fotografias de musas do cinema. Não eu não tenho um quê lesbo, mesmo concordando com Almodovar que todas as mulheres são um poquinho lésbicas de si mesmo. Não, eu só acho que mulher, especiamente as divas do cinema, ficam perfeitas sobre boas lentes. Enfim, minha paixão por cinema e fotografia é transbordável e ativa todos os meus sentidos - e a Vanity Fair tem sempre os melhores photoshootings.

Nicole Kidman e Baz Luhman - fotógrafa Annie Leibovitz
(meus musos!)

Danny Boyle e Dev Patel - fotógrafa Annie Leibovitz


Jodie Foster em "Os Pássaros"- por Norman Jean Roy


Marion Cotillard em Piscose-por Mark Seliger.


Charlize Theron em Disque M Para Matar-por Norman Jean Roy

Seth Rogen em Intriga Internacional-por Art Streiber


OMG! The Alpha List - por Annie Leibovitz
Tom Hanks, Tom Cruise, Harrison Ford, Jack Nicholson, Brad Pitt, Edward Norton, Jude Law, Samuel L. Jackson, Don Cheadle, Hugh Grant, Dennis Quaid, Ewan McGregor, and Matt Damon.

OMG TWICE! Master Class List- por Annie Leibovitz
Nicole Kidman, Catherine Deneuve, Meryl Streep, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett, Kate Winslet, Vanessa Redgrave, Chloë Sevigny, Sophia Loren, and Penélope Cruz.


Tá ai, não são fantásticas?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

queijo e goiabada


Triste é viver na solidão
Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber que ninguém
Pode viver de ilusão
Que nunca vai ser
nunca vai dar

O sonhador tem que acordar
Tua beleza é um avião
Demais prum pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão







Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer. Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

3 dias de paz e música que pararam o mundo.


Uma galera em prol de vários ideais. Ideais pacifistas, libertadores, contrários ao autoritarismo de mentalidade. Cada um dançando do seu ritmo e usando flores da cabeça - flower power! O poder da flor, o poder das flores da nação - o poder dos jovens. Os jovens contrários a uma sociedade materialista que mandava suas flores murcharem em prol de uma guerra de ideais bélicos e gananciosos. O desabrochar de novos ideais, novas teorias, novos objetivos para o corpo e para a mente - o objetivo de não objetivar nada. O objetivo de experimentar, de tentar, de ser, de transceder.
Homens, mulheres, hermafroditas e anjos. Cores, flores, amores, ideais. Galera dançando, cantando, sorrindo, provando. Muito sexualismo, muito liberalismo, muito revolucionismo. Musica boa, musica nova. Hendrix que beijava Joplin. Joan Baez, The Band e The Who. 500.000 pessoas experimentanto, esperienciando o festival que marcaria uma das maiores (se não a maior) revolução cultural de toda a história. Are you experienced? O surgimento de uma nova classe de jovens que contestava a proibição, que queimavam cartas do exército. Que iam aos parques para dançar, amar, separar-se do material (inclusive roupas) e criar novas teorias - ou simplesmente não ter teoria! Uma nova estética, musicas que expressavam os ideias- musicas que se perpetuaram até hoje.
Minha paixão por Woodstock, pelos hippies, pela desobediência civil. Pela busca de libertação, pela revolução cultural. Meu desejo de presenciar, experimentar, amar, libertar. Ser antes de tudo, minha - ter meus ideais e minhas preferências. Não ser de ninguém - ser eu em todo mundo, todo mundo em mim - i'm he as you are he and you are me and we are all togheter
(beatles faltou, mas o contexto é presente).

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

o bom filho a casa sempre torna

Meu sonho sempre foi o de morar sozinha; ter meu próprio cantinho que eu possa organizar (ou não) do meu jeito. Eu controlo o som e o controle remoto. Se a geladeira está cheia de comida ou não, se têm livros espalhados pelo chão. Não dar satisfação pra ninguém, andar pelada. Já faz três anos que vivo nesse 'sonho' e, digamos assim, não é tão brilhante assim - na verdade, usei um adjetivo inapropriado, já que só faço limpezas nas sextas feiras e hoje é recém o meio da semana. Ter que ver o que está na geladeira, sempre. Ter que saber que livros estão espalhados no chão, sempre. Além de do controle, tenho nas minhas mãos contas e mais contas para controlar. Solidão nos domingos chuvosos; não ter para quem gritar "boa noite!". Acredito que estou fazendo o que é melhor e, na maioria dos tempos, não trocaria.
Mas sinto falta das jantas do meu pai, das chatices da minha mãe com as gatas dela. Tomas mate antes do almoço na minha avó, das implicâncias entre colorados e gremistas com meus tios e avôs. Os gritos nos churrascos, o eterno "me trás uma cervejinha" e as discussões que nunca levam a nada. As tiradinhas que sempre tem, as frases clássicas. As gargalhadas, o não entender todo mundo gritando. As piadas, as histórias de antigamente. Os desaforos, as brigas. As mil e uma programações de viagens que nunca saem e as que saem. Meu pai me implicando e meu tio me apertando. Os cascudos que eu do no meu primo e a bateção de boca com meu dindo. A eterna discussão na quarta feira, minha mãe dizendo que meu pai só pensa em futebol. Minha irritância em ter que ver novela. A eterna fiscalização do meu pai para saber onde estou, com quem estou e onde vou. A chatice da minha mãe dizendo que eu só penso em festa e que é pra voltar cedo. A sagrada hora da sestia, deitadas no chão embaixo do sol, minha mãe e as duas gatas. O colo do pai. As eternas e constantes brigas com o pai - sempre os mesmos assuntos, sempre as mesmas reclamações. O colo da mãe. O silêncio que alivia. O colo dos dois para desabafar minhas angústias, frustrações e medos. A dor de dizer que eles tinham razão. A dificuldade de dizer "eu te amo" e a angústia de não se fazer entender. As brigas constantes e o silêncio que dói. As mentiras, as revoltas, os "te odeio!" e os "deixa eu fazer do meu jeito!". As bateções de porta, as tentativas de reconciliação. O abraço contido, o aconchego tímido. O silêncio carinhoso. Acordar com pulos na cama e o café quentinho do pai. Domingo, os três na cama, lendo Zero Hora. Churrasco, risadas, gritos, contos, histórias, fatos, piadas, implicâncias, grêmio, inter, vestibular, amores, tiradas, lendas, viagens, planos, política, religião, lula, yeda. E a dor de dizer tchau. A vontade de chegar logo no apartamento e ficar no meu silêncio rotineiro. A dor de chegar em casa e não ter para quem contar sobre o fim de semana. Ver que quem realmente nos ama está ficando quilômetros de distância. Perceber que a gente está ficando adulto e não adorar totalmente a sensação. Ver que a vida continua. Dar aquele abraço de despedida apertado, dolorido, pungente. Engolir nas lágrimas, por os fones de ouvido e o pé na estrada. Qual música escolher?
Mesmo vivendo meu sonho, que vontade de gritar "Boa Noite, John Boy!" e ouvir o "Boa Noite, Mary Ellen!" que eu cresci ouvindo sem nunca dar muita bola.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

why dont we do it in the road?

Hoje, e talvés somente hoje, vou te pedir para existir. Vou querer te ver, acreditar. Em ti quero ser tudo aquilo em que um dia te recusei. Nossas mãos enlaçadas, nossos pés cambaleantes e nós andando depois da meia noite. Gritando pela rua, cantando versos falsos. Entonando Chico e Elis além de Cazuza e John Lennon. Vou fazer um solo, com minha guitarra imaginária, que você irá se arrepiar. Com um beijo nos meus cabelos irás me mostrar que o mundo é bem bom. Vou rir, cambalear e o porteiro do prédio da esquina irá gritar. Não daremos bola, andaremos juntos, de mãos dadas, falando de nossos amores. Aqueles que foram, os que serão e os que o tempo nos sacaneou. Estarei morrendo de fome e usando teu paletó. Tu estarás bem ignorante, arrotando cerveja e comentando das curvas das minhas amigas. Chamarei elas de gordas, já enciumada, e tu dirás que elas são gostosas. Te darei um tapa e tu me darás outro. Irás rir porque farei drama. Eu calo e você cantará algo lindo que sabe que eu amo. Eu me empolgarei, novamente, e cantarei do fundo da alma. Chegaremos, naquele frio, dentro do carro e ligaremos o som. Tocando aquele Pink Floyd e no calorzinho do carro iremos nos encostar até dormir abraçadinhos.
O sol raiando e a gente se amando.

domingo, 2 de agosto de 2009

pensando como me mandaram.

O povo em busca de uma nova histeria. Não cai mais avião, não há mais nepotismo no Senado não. E eu com isso se o presidente fascista do Irã vem visitar nosso Lula ou que aconteceu a récem uma reunião da cupula da america latina? Meu papo é a gripe. Quero só saber onde morre mais e, no meio tempo, me procupar se o Tite vai embora ou se o Autuori vai resolver ser um técnico digno de seu salário. Acordo com um bom café e a Zero Hora me entretem com suas manchetes do H1N1. Morre um, morre dois, morre dez. Não vá para a Argentina, não vá para o Uruguai, não vá no shoping, não vá na aula. Fique em casa, vendo televisão - e lave as mãos, não se esqueça! Mude seus horários, fuja dos amigos que tossem. Não use mascara não, isso vai contra a cultura ocidental. Somos lá nós aqueles selvagens (sem civilização) dos nossos amigos orientais, que usam máscara sempre que tem alguma indigestão? Minha cultura me mandou pensar no meu umbigo e evitar andar com gente ramelenta. Já que minhas aulas foram, meticulosamente, transferidas para daqui a dez dias, mais tempo tenho para passar com as minhas amigas! Vou lá eu pernambular nos shoping, parques e cafés. Aproveitar para ir nas festas quarta, sexta e sábado naquele calorzinho humano e me sentir tão feliz porque minhas aulas acabaram e eu estou previnida. Olha a gripe A! O máximo que eu cheguei perto dela foi empurrar um cara numa festa chamando ele de porco ridiculo, mas não sei se isso se incluí na epidemia suína.
Vamos fazer histeria, vamos fazer festa. Continuaremos ouvindo noticias exageradas e continuaremos sendo alienados sobre o resto do mundo. Meu sábio diretor cancelou as aulas por "pressões das mães do interior que se recusam enviar seus filhos às aulas" e, obviamente, como o Ministério nos manda acreditar, nesses dez dias não haverá nenhuma perda de tempo e estaremos todos em busca de um bem comum.
Epidemia da frescura, isso sim.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

chico cantou joão e maria

A história de João e Maria. Aquele amor inocente, infantil. João se sentia herói, rei, juiz. João pelo seu amor enfrentava batalhões, os alemães e os canhões. João corou Maria e a admirava olhando nua. Como todos os amores, desgaste fatal. O amor das mãos dadas vira o desejo frio de cama ocupada. Como acreditar nessa história de amor se nem João e Maria conseguiram? "
"Não, não fuja não - finja que agora eu era o seu brinquedo.
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido."
Cada dia que passava, João mais distante. Maria se desesperava, não conseguia aceitar que o amor morria. Morreu. Maria tentava voltar aos dias épicos onde era princesa coroada. Maria achou que o tempo da maldade não era seu, sem saber que o egóismo é instinto mais primal do homem. Maria chorava, João desiludido. Como crer que na eternidade sem nem os mais apaixonados conseguem cumpri-la?
"Agora era fatal que o faz de conta terminasse assim.
Pra lá deste quintal, era uma noite que não tem mais fim."
Cada qual para seu lado, em público fingindo esquecer o que já um dia sentiram. Maria confessava seu amor para um copo de vinho a meia-noite vendo seu filme favorito. João lembrava os momentos tão fantásticos que já teve com Maria só após algumas várias cervejas quentes. João amou Maria? O tempo já cria duvidas. A saudade já produziu incertezas... João já não cumprimenta mais Maria, tem mais o que fazer. Maria e seu orgulho ferido. João e seu egoísmo. Como confiar num caso tão vão?
"Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E eu era um louco a perguntar:
o que a vida vai fazer de mim?"

i wanna do bad things with you


cara, esse elenco não é for real!

when you came in the air went... OUT!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

oh, how i wish...

So, so you think you can tell
Heaven from Hell?
Blue skies from pain?
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold confort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish...
How I wish you were here!
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here...

Enquanto continuarmos preferindo ser reis sob um teto e quatro paredes, seremos apenas mais alguém no mundo. Como eu queria, como eu queria que saíssemos de nossos aquários superficiais e enfrentássemos um batalha diferente a cada dia num vasto oceano sem fim.
Não iremos a lugar nenhum enquanto o poder oligárquico nos fizer abandonar principios por uma posição mais confortável, equanto tentarem enterrar nossas esperanças, matando herói por herói.
Usemos da musica, usemos da história! Façamos deles respectivamente hino e contexto na nossa trilhagem como conjunto. Vamos aceitar nossa ignorância como oniscientes e assim unirmos nos para ir além. De que adianta termos coroa de ouro sob nossas cabeças se não podemos usar uma corrente de prata nas ruas?

"Eu sou ele como você é ele como você sou eu e nós somos todos juntos
Veja como eles correm como porcos fugindo de uma arma, veja como eles voam
- Eu estou chorando"

- tá na hora de pensarmos nisso.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vampiros me mordam!


Minha paixão por vampiros desde menininha. Meu aniversário de Dia das Bruxas e eu de vampira e pó de arroz no rostinho pequeno. Eu já louca para morder e beber sangue desde menininha.
Vampiro é sexy. Vampiro é grotesco. Vampiro é violento. Vampiro é cult. Vampiro é sombrio.
Sedução, provocação, sangue, sexo. Daí que vem essa fixação antiga. O vampirismo traria à tona todos os instintos mais animais e predatórios do homem. O desejo secreto de ser uma presa. A tentação de sair a noite em busca de prazer proíbido.
A moda vampiresca estourou com os livros - sublimes - de Anne Rice (principalmente Entrevista com o Vampiro e Rainha dos Condenados) e os filmes baseados nos seus livros sempre levavam multidões aos cinemas. Todos começaram a escrever mas mantiam junto, mais ou menos, uma teoria tentando transformar os vampiros não só em livros, mas em lendas urbanas. A febre meio que baixou e outras modas entraram - meus respeitos a Harry Potter e Senhor dos Anéis.
Hoje voltamos com a febre e dela temos dois ramos: a teen (e patética) saga de Twilight e a sexy-trash série True Blood. Enquanto o vampiro Eduard enlouquece meninas de qualquer idade (OK, concordo), True Blood bate recordes da TV americana (ganhando mais pontos que Os Sopranos). Sinceramente, já estou rouca de dizer por que eu odeio Twilight: a infeliz autora nunca leu um livro de Anne Rice (palavras dela) e nunca terminou de ver Entrevista com Vampiro (mesmo com Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Bandeiras gostosões) porque achou muito violento. A sortuda pegou a onda do 'ai-meu-deus-harry-potter-tá-acabando-que-vou-fazer' e vendou horrores. Algum engraçadinho botou o maravilhoso Pattinson para conquistar todas e algum marketeiro muito bom fez uma campanha para enlouquecer os cabecinhas fracas. Nada mais. Aquela guria é mais careteira que o Jim Carry e o filme é P-É-S-S-I-M-O. Além do fato que nossa amiga destruiu a lenda vampiresca: vampiros brilhando no sol? Me lembra aquela cantiga 'bicha quando morre vira purpurina', não? Vampiros cool? NOT.
Já minha querida True Blood é perfeita. Não é para qualquer tipo de espectador pelo excesso de sexo, sangue, nojeiras e momentos trash, mas ela continua orgulhando a galera que, como eu, adora perder algumas horinhas sonhando com vampiros.
Fica a dica.

domingo, 12 de julho de 2009

será que a gente chega?

Vou ver se durmo para ver se acordo com um dia mais sereno, um clima mais ameno e um sorrisso mais sincero. Quero lá ver teu sorrisso, assim meio que cansado de tanto sonhar. Tua pele branquinha contrastando com os meus cachos negros e embaraçados.
Vou ver se agilizo para ver se paro num dia mais sereno, num clima mais ameno e com um sorrisso mais satisfatório. Tudo passa. Ah! Ah... Vou assumir-te que estou cansada de tanto sonhar. Quero casa, quero chão, quero coração. Quero mente aberta - a minha, a tua, a nossa. Quero portas abertas às variações de estação. Abre a porta para mim, vai. Não abre assim sem pensar, sem ver, sem temer. Abre com cautela, faz charme perguntando "pois não?".
Vou ver se vou ai te ver para me aquecer com um dia mais sereno, com um clima mais ameno e com um sorrisso mais tranquilo. Assoviando assim na mais desafinada doce melodia. Andando por ai, para ver se te encontro. Vou confessar-te meus maiores segredos sem proferir uma palavra. Vou te despir sem te tocar. Afastando-me de ti assim, no mais improvável momento, vou fazer você pensar em correr atrás.
Não, não vai ainda. Tenha cautela. Deixa assim, sorrindo meio que desencantado. Dê meia volta e vá para casa - olhando aquelas crianças comendo algodão doce e com alguns cachos meus na tua jaqueta...

será que a gente chega
eu sinto que o meu coração tá com jeito de bem me quer
mesmo quando eu levo a vida de um astronauta eu sei quanto tempo que falta
olha que o túnel está quase ali
segura que a minha alegria não quer parar

quarta-feira, 8 de julho de 2009

o que eu quero para mim

O que você aconselharia para alguém que estivesse iniciando na mesma área?

PRA: Seja estudioso, dedicado, honesto intelectualmente, esforçado no trabalho, um pouco (mas apenas um pouco) obediente, inovador, curioso, questionador – mas ostentando um ceticismo sadio, não uma desconfiança doentia –, tente aprender com as adversidades, trate todo mundo bem (e, para mim, da mesma forma, um porteiro e um presidente), não seja preguiçoso (embora dormir seja sumamente agradável), cultive as pessoas, mais do que os livros (o que eu mesmo não faço), seja amado e ame alguém, ou mais de um... Enfim, seja um pouco rebelde, também, pois a humanidade só avança com aqueles que contestam as situações estabelecidas, desafiam o status quo, tomam novos caminhos, propõem novas soluções a velhos problemas (alguns novos também). No meio de tudo isso, não se leve muito a sério, pois a vida é uma só – sim, sou absolutamente irreligioso – e vale a pena se divertir um pouco. Tudo o que eu falei ou escrevi acima, parece sério demais. Não se leve muito a sério, tenha tempo de se divertir, de contentar a si mesmo e os que o cercam.

PRA - Paulo Roberto de Almeida, diplomata brasileiro

terça-feira, 7 de julho de 2009

idéias fixas

Brás Cubas morreu por causa de uma idéia fixa. Eu vivo em função delas. Quisera eu sentar num ônibus e dormir durante a viagem ou ir de um lugar a outro só observando a mudança de paisagem. Gostaria de não ser perseguida pelos tormentos que eu mesma crio. Fixo todos meus pensamentos em algo e crio milhões de histórias, casos, acasos. Não consigo pregar o olho, não consigo sonhar com balões vermelhos. Não consigo sossego. Por vontade do consciente que se homogeneíza com o inconsciente, eu não penso em algo diferente. É aquilo quando eu caminho, quando eu durmo, quando eu como, quando eu escrevo, quando eu sou.
Minha idéia fixa tem sido você.
Quisera eu que quando estivesse no escuro do ônibus eu dormisse e não ficasse imaginando tuas ligações, teu súbito aparecimento na minha casa (eu consigo achar uma possibilidade para descobrires onde eu moro, já que não sabes...). Toda a trilha sonora foi feita para nós e todos os passos que eu dou podem me levar ao nosso encontro. Dos nossos desencontros, me entretenho pensando o que poderia ter acontecido e não aconteceu.
Minha idéia fixa tem sido você.
Quem sabe de vez enquando tu não pensas em mim? Algo aqui dentro, que eu não sei mais distinguir o que é, me diz que tu reservas uns minutos do teu dia para mim. Para imaginar. Para criar o que não foi mais além. Talvez tu ficas pensando onde é minha casa e como chegar lá... Tem algo que mantem meu pensamento fixo, algo que me diz que sim. Fixo: sim. Fixo, sim. Fixo:
-Sim.
Quisera eu fixar meus pensamentos em algo mais produtivo. Podia fixar minha idéia em alcançar meus objetivos pessoais, profissionais, etc e tal. Mas tu sabes que eu não sou assim. O subjetivo me consome, me atraí, me encanta. O subjetivo me arrasta para a cama e me deixa sem dormir.
- Minha idéia fixa tem sido você.
- E a minha, você.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Senador Cristóvam Buarque responde a jornalista americano

Gostaria de usar esse espaço para publicar, divulgar, etc e tal este email que recebi e que achei de extrema importância.
Quem der uma fuxiricada por aqui, leia, por favor. Isso faz parte do teu patriotismo. Faz parte da tua cidadânia.

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF,ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE,foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!


É esse o tipo de esperança que eu quero.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

quero cantar que nem meus pais

A magnífica e sutil frase do Chico "apesar de você amanhã há ser outro dia" me foi apresentada, a vários anos atrás, em uma campanha política da minha pequena cidade natal. Eu era muito nova, estava na terceira série mas me lembro muito bem do contexto: era uma gangorra onde, de um lado estava o símbolo do eterno partido político que governava despoticamente a cidade e de outro estava a constante e imutável oposição. A campanha era de um terceiro, aquele que sabíamos que não venceria. Lembro me muito bem que essa propaganda foi bastante polêmica e foi assunto por vários dias; era só a gangorra, de um lado para o outro e tocava "você que inventou de inventar esse estado e inventou de inventar toda essa escuridão" e lembro dos adultos, os sábios para mim naquela época, dizerem que sim, ele era o mais sensato. Entre os três, aquele terceiro era o que tinha melhores idéias, ideais, propostas. Ai eu perguntava: mão, tu vai votar no Siclano, né? Minha resposta era um inexplicável não. Inexplicável pra mim, tola criança que acreditava no zoroastrismo, naquela noção dualística do mundo entre Bem e Mal. Minha mãe dizia que não votaria nele porque ele não tinha chances... Obviamente, quem ganhou aquelas eleições não foi o nosso amigo com grande gosto musical, que eu, sozinha, torcia. Quem ganhou foi a oposição, para o delírio do poder. Mas, hoje eu vejo, a oposição já é a reação e vice-versa e ninguém entende direito mais o que é ideologia ou não.
Vai ver meu candidato também se corromperia, talvez apesar dele o amanhã continuaria um dia igual ao de hoje, não sei, provável. O que me frustra é essa facilidade de aceitar a política como é, os poderosos serem quem são, as leis serem aplicadas só a quem interessa. O que me revolta é essa capacidade que temos que ignorar para não se decepcionar. O que me indigna é estarmos tão atolados em escândalos, mentiras, roubos, polemicas, falsidades, corrupções que não conseguimos ver uma luz no fim do túnel. Antigamente, nos diziam "o futuro é de vocês, jovens! Lutem por ele!" e hoje eu tenho que ouvir, das mesmas bocas, "o melhor é sair desse país o quanto antes mesmo. Não há solução." e, ah!, que decepção!
Eu quero o meu futuro! Eu quero votar, fazer campanha, torcer, pintar o rosto! Eu quero a massa se manifestando, eu quero ideias. Cansei de usar o orkut para procurar pessoas interessadas nas mesmas musicas que eu... quero usar o twitter para ajudar a dês-alienar essa nossa juventude!
De criança sonhadora a jovem ideológica! Não quero mais Sarney e toda sua arvore genealógica ganhando a custo do suor da nossa sociedade. Não quero mais aquele geriatrias mandando e desmandando no Senado daquele jeito - aqui é ou não uma democracia? Não quero mais ver aqueles ministros, senadores, deputados passeando de avião e ligando para a Grécia enquanto nossas crianças trocam os livros por crack. Não quero mais viver nessa bolha que nós, jovenzinhos de classe media e alta, vivemos! Nós somos a diferença para aqueles coitados, nós somos a esperança! O futuro é nosso.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Chico Buarque - Apesar de Você

sábado, 27 de junho de 2009

e tuas mãos não estavam frias

No meu primeiro domingo de inverno ensolarado em Porto Alegre eu te vi. Ainda lembro da cor da tua manta, do sol se escondendo nos teus cachos. Andando meio sozinho, meio acompanhado de um casal, e eu não conseguia parar de olhar. Três, quatro dias depois fui no ensaio da banda de um amigo e eles tiveram que mudar o guitarrista emergencialmente: foi lá que te vi pela segunda vez. Meio tímido, muito charme. Sorriu para nós por pura simpatia obrigatória. Alguém te chamou de Bob Dylan e eu sorri e pensei: viu, não sou só eu que acho.
Durante três anos nos encontramos algumas varias vezes. Pareciamos ter alguns amigos em comum e acabávamos sentando na mesma mesa de vez enquando. Eu tinha que me controlar para não te olhar. Frequentavamos os mesmos locais e vira e mexe lá tu estavas, encantador. Uma vez eu dancei bêbada para ti; tu percebeu. Eu ia cair; tu me segurou. Por alguns segundos eu fiquei no teu colo e trocamos olhares cheios de segundas intenções. Mas, quem sabe pela tua parte também, aquelas segundas intenções não deixaram de ser intenções por causa do encanto que causamos um no outro.
Uma vez eu cheguei no nosso bar de mãos dadas com outro cara. Teu amigo. E sentamos na mesma mesa. Passamos a noite conversando, eu e tu. Eu te olhava e pensava "por que só agora?" e torcia para que tu pensasse " por que há mais pessoas aqui?", mas nossas frases foram regurgitadas pela boca e ficaram trancadas nos olhos.
Esse ano te vi duas vezes, até ontem. Nada demais, mas ontem... ah! quanto tempo eu não te via! Eu entrei e teus olhos estavam postos em mim. Te dei um 'oi' e percebi tua atordoação - mas rapidamente te recompôs e respondeu meu oi. E assim ficou, como sempre ficava. Mas eu te olhava e tu estavas me olhando. De repente, tua voz ao meu ouvido. Tua mão no meu ombro, tua risada, tua conversa, teu súbito interesse na minha vida. Tu não usavas a mesma manta e tinha as mãos quentes.
Nós tínhamos tudo para concretizar nossos três anos de desencontros. Mas, que medo tive eu de destruir a aurea de encanto que tinha o teu nome. Pavor de um coração partido, pavor de não poder mais sentar na mesma mesa que tu. Tivemos medo de não sermos o que sonhamos um para o outro? Tínhamos tudo para acontecer mas prefirimos esticar nosso sonho. Quem sabe ainda não era hora, quem sabe nosso momento ainda não chegou...
Quem sabe um dia tu deixes de ser só o meu Bob Dylan intocável e eu deixe de ser a ilustração que eu possa ser tua. Vai ver chegará o dia em que seremos só duas pessoas com um simples interesse em comum. Ou, quem sabe, tu serás minha eterna prova que tudo é perfeito do jeito que é e que deve ser.

terça-feira, 16 de junho de 2009

um pequeno poema que eu não sou poeta.

Tick-tack, tick-tack, tick-tack, tick-tack....
Hora de acordar, hora de levantar, hora de se vestir,
hora de se arrumar.
Hora de comer, hora de sair, hora de estudar,
hora de cansar.
Cade minha hora de amar?
Cade minha hora de conviver?
Cade minha hora de conhecer?
Tick-tack, tick-tack, tick-tack, tick-tack! Acorda!
Tick-tack, tick-tack, tick-tack, tick-tack! Levanta!
Quem me dera poder cumprir meu horário.
Bater ponto na hora certa - entrar e sair como manda o figurino e faz um happy hour no bar da esquina.
Sem peso na consciência, sem culpa - com horário cumprido o chefe não cobra.
Cobra, cobra, cobra horário, cobra eficiência, cobra habilidade
Cobra, cobra, cobra férias ao chefe - Quero férias, por favor!
Manda uma tempo vago pra vagar sem compromisso
Tick-tack, tick-tack, tick-tack, tick-tack?
Tick-tack, tick-tack, tick-tack, tick-tack...BUM.

sábado, 6 de junho de 2009

hoje o samba saiu

você era a favorita onde eu era mestre-sala
hoje a gente nem se fala mas a festa continua
suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua...

O pior que saber que não se sente mais é não lembrar o que já se sentiu. Sinto no peito um vazio inexplicável e que eu sei que é impossível de ser preenchido. Meio perdida, meio achada.
Meu peito quer um tempo e meu cérebro insiste em lembrar tudo o que eu tenho que fazer. Eu lembro daquilo tudo que já passei e já nem sei mais ao certo...
ah, quer saber? Por mais qu eu tente explicar o que eu to sentindo, essa letra traduz tudo melhor:

hoje o samba saiu, procurando você.
quem te viu, quem te vê...
quem não a conhece não pode mais ver pra crer,
quem jamais a esquece não pode reconhecer.

quando o samba começava você era a mais brilhante e se a gente se cansava você só seguia adiante.
hoje a gente anda distante do calor do seu gingado; você só dá chá dançante onde eu não sou convidado.
o meu samba assim marcava na cadência os seus passos, o meu sonho se embalava no carinho dos seus braços.
hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão.
todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe de dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
quem brincava de princesa acostumou na fantasia.

hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
quero que você me assista na mais fina companhia
se você sentir saudade por favor não de na vista
bate palma com vontade, faz de conta que é turista!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

um culto ao bulbo

Aurora já não sabia mais sambar. Na vida, havia quebrado o pé. Tinha quebrado o pé da vida e já via que todo o chão era assas hostil para pisar. Aurora nem queria mais ver o que restava do pôr-do-sol. Ela não sabia já sambar mais.
A morte tinha a encarado. Frente a frente com aquele rosto tão frio, tão cínico. Parecia que a Dona ainda sorria, enquanto arrancava, não com pouco esforço, Julio dos braços de Aurora. Aurora puxava perna, puxava braço, agarrava os frios crespos daquela braba até que, segurava um nada. Já Julio levava tudo. Levava ele, levava seu calor, levava sua amada. Aurora se via indo e se via ficando. Aurora ia e ali ficava. Aurora sozinha ficava. Levaram todo seu gingado, seus passos treinados com tanto esmero.
Aurora não queria mais saber de sambar. Na tragédia, tinha perdido suas pernas. Não tinha mais piso para se assentar. Nem Chico, nem Elis, nem eu, nem você - ninguém conseguia criar a trilha para parar aquele pranto. Julio levava toda a musica e o único som que deixou Aurora ouvir foi o eterno barulho daquele carro apressado. Apressado demais para apressar a vida de alguém. Julio passava e aquele barulho de motor se aproximava... Julio ficou e o barulho de motor se afastou. Aurora não queria mais ver ninguém sambar.
Um culto ao bulbo, meus amigos! Um culto àquele que faz continuar. Um ode ao bulbo que mantém os movimentos involuntários enquanto o que o cérebro quer é parar. Um ode àquele que avisa ao nosso diafragma que deve subir. Um aleluia ao bulbo que lembra nosso coração que ele deve continuar bombeando.

terça-feira, 26 de maio de 2009

discografias da minha vida

Abbey Road - Beatles
Uma obra prima: Come Together, Oh! Darling, Something, You Never Give Me Your Money e I'm Want You - trilha sonora para qualquer momento. Não posso dizer que sou uma especialista em biografia dos Beatles, mas sou uma grande aprecidora da sua discografia e, com certeza, é nessa que eu mais me entrego.

Blonde on Blonde - Bob Dylan
Quando eu encontrar o amor da minha vida ( o Bob Dylan que Deus caridoso fez para mim em algum lugar do mundo) será essa trilha que vai tocar. Quando eu passar no vestibular, essa trilha vai tocar. Quando eu receber o maior pé na bunda, essa trilha vai tocar. Quando eu estiver fazendo uma viagem histórica, essa trilha vai tocar. Quando eu estiver em sintonia, essa trilha estara tocando.

Damien Rice - O
Damien foi o cara que mais tocou meu coração (sim, sou piegas!). Foi meu melhor amigo durante uma fase longa e profunda de transição emocional. Damien sempre me entendia e eu sempre encontrei em suas letras certas respostas que ninguém nunca soube me dar. Damien dói, lá no fundo. Mas Damien é Damien, e por isso sou eternamente grata.

Forrest Gump Soudtrack
Os maiores clássicos americanos! Um filme apoteótico e que fez minha infância: era o único cd do meu pai que eu podia mexer quando ele nao estava perto (já que os vinis eu só fui autorizada a tocar neles após meus 12 anos, mais ou menos). Ao meu gosto, nunca uma trilha encaixou tanto com o clima e com o contexto de um filme. Nem a sintonia de Another Brick in the Wall com Mágico de Ox é tão perfeita.

Aimee Mann - The Forgotten Arm
Aimee é tão ignorada aqui no Brasil, não conheço mais nenhum fã dela - mas mesmo assim, Aimee é mágica. Sua voz não é fantástica, nem suas melodias. Mas o conjunto de letras maravilhosas (sim, MARAVILHOSAS) e sua vozinha calma pode tanto levar alguém ao suicidio quando a perfeita paz - Aimee tem a capacidade de elevar emoções à terceira potência.

Coldplay - Parachutes
Os caras são foda. Ponto. Piano, letras agonizantes, voz profunda. Não preciso dizer mais nada. E podem, todos os reais fãs de Coldplay me crucificarem por ter escolhido esse cd ( o que tem a menor proposta para ser hit) mas, para mim ( e sim, eu tenho todos) é o mais lindo. Simples; lindo.

Elizabethtown
Para uma fanática pro trilhas sonoras como eu, essa é, das mais atuais, uma que sempre me surpreende. Toda a vez que estou na estrada, é a melhor pedida: Roll down your window, some musics needs air. Encontrei na Claire alguém que, como eu, tenta achar na vida o close perfeito.

Duffy - Rockferry
Linda. Vanguardista. Voz absurda. Pare e perceba a perfeição da roquidão da voz dela, das dancinhas, do estilo - das covinhas no rosto. Dyffy me encantou 100%, e não foi com a pop Mercy. Foram as letras de Delayed Devotion, Stepping Stone e com a doçura de Syrup and Honey e I'm Scared. Não se enganem os tolos, Duffy não está, nem nunca pode estar, na sombra de Amy. Ela não é uma Amy sóbria e loira. Ela é a Duffy e isso já basta, não?

Supertramp - Breakfast in America
Quando minha mãe botava esse disco, no máximo do volume do seu Três-Em-Um, já se sabia: minha mãe iria entrar em transe. Mesmo não sabendo ingles e com uma voz terrível (isso é genética, daonde eu iria tirar essa voz?) aquela cena era contagiante. Minha mãe chegava ao clímax quando pegava a vassoura e usava de microfone quando começava When I was young....

Once Soundtrack
Não, eu não vou comentar: i dont know you but i want you all then more for that. Words fall through me and always fool me and i can't react....


Queen - A Night at The Opera
Sim, eu fui uma pré-adolescente feliz com Queen! Enquanto minhas amigas iam para as reuniões dançantes no fim de semana, eu iria para nossa estância e meu vinil favorito era Night at the Opera, sem dúvidas. Hoje, ok, já não ouço mais tanto. Mas, eu sei até hoje cantar todinha a Bohemian Rhapsody e Love of My Life é, sim, uma das musicas romanticas mais lindas do mundo. Mercury, você é minha bixa favorita!

Moulin Rouge Soundtrack
Para finalizar, a trilha sonora do filme que todos sabem que é o filme da minha vida: Moulin Rouge. Fez muita coisa para mim e não é hoje que eu vou renegá-lo; nunca! Minha gata se chama Satine, meu primeiro DVD foi o Moulin Rouge (dado pelo meu primeiro namorado), meu primeiro presente de casa nova foi um quadro inspirado no filme, meu presente de quinze anos foi champagne no show Ferrie lá no Moulin Rouge e meu céu será vermelho, cheio de veludo, cinta-liga e cabelos ruivos.

take a sad song and make it better


ai eu ouvi "for well you know that it's a fool, who plays it cool, by making his world a little colder" e pensei que eu não quero ser mais um Jude no mundo, eu quero parar 'to make it better' e cantei o 'na na na na' afogada em lágrimas e perdida nas minhas decisões.

Cansei do menu popular

A breviedade da vida. Quem nunca falou a frase típica "como essa semana passou voando"? Pois é. Além de breve ela está se tornando deveras instantanea: amores instanteneos, paixões instantaneas, gostos instantaneos, desejos instantaneos. Não nos subtemos mais a toda aquela espera dos folhetins românticos; chegamos ao climax e logo já é o final - nunca há muito enredo. Deixamos de lado os romances para nos dedicarmos aos contos. Contos de pequenos paragrafos, pois nunca há muito espaço livre nas páginas. Beijar, sexo, mãos, pele, toque - banalidades. Calafrios, arrepios, sorrisos, conversas sérias, troca de telefone - frívilidades. A vida "porção única", nos apresentada no filme Clube da Luta, pelo incrível Narrador, está cada vez mais presente: amores porção única, amigos porção única, felicidades porção única. Gostaria de um combo, por favor! Quando vemos alguém que está a muito tempo em um lugar seguro e há muito tempo com a mesma pessoa dizemos que está perdendo tempo. A vida está ai, tem que aproveitar, tem que viver! Por que infernos nos condicionamos a achar que esse individualismo doentio é algo normal? Por que se critica tanto a pessoa que dedica sua vida a compartilha? Por que já é tão incomum ver grandes amigas de longa data ou casais que mantém o amor depois de vários anos de convivência? Por que temos tanto medo de "perder a vida com a mesma pessoa" e não percebemos que estamos perdendo a magia da intensidade?
Hoje eu quero pedir o menu especial: quero uma porção de verdade absoluta e uma dupla dose de amor sincero para acompanhar.

domingo, 24 de maio de 2009

quando o despertador grita

Conforme os dias passam, mais asco eu sinto pela voz do meu despertador. Nunca tive muito o custume de ter problemas ao acordar, tanto que por bons quinze anos meu despertador foi o grito meloso do meu pai lá do outro quarto. Essa sensação de 'me dá mais uns minutinhos' me irrita - atualmente, sinto um absurdo prazer em dormir. Sono para mim sempre foi algo controlável e não é mais - quando começa aquele piscar molengo, meio que desfocando o que eu to lendo, ou eu durmo, ou eu durmo. Quando acordo, olho para o relógio. Ah, quantas meias horas desperdiçadas! Ando com a idéia fixa da morte - não digo a minha, mas a morte de tudo que eu conheço como meu - e essa ideia associa com dormir demais: perda de tempo; perda de vida; morte.
Eram dez horas e eu ouvi aquela voz irritante: meu despertador gritava. A Satine, minha gata, me olhava com uma carinha de sono. Quanto toca o despertador tem sempre duas opções: desligar ou soneca. Se eu desligo e volto a dormir, inutilidade. Se ponho no soneca, na real não descanço mais (ninguém descança com o celular apitando de 5 em 5 minutos) e nem produzo algo - então, porque infernos eu fiquei clicando no soneca até as 10:25? Além de odiar o celular, eu fiquei o ouvindo cinco vezes, naquela malemolência ridicula. Quando eu paro e me analiso, nojinho tenho de mim por perder tanto tempo, tanta vida.
Mas quem infernos chega em casa as cinco da manhã, tonta do alcool, fedendo do cigarro, e põe despertador, num domingo (sim, despertador num domingo) para as dez da manhã? Sim, eu. Levantei. Nem me prestei a aquecer o café de ontem, foi gelado mesmo. Meu quarto, uma zona; meu cabelo, um ninho de rato. Dane-se, vou estudar. Tirar a maquiagem, comer e tirar as roupas do chão, só depois de estudar. Quem vai estudar com fome, suja e com ressaca (repetindo, cinco horas de sono) num domingo nublado? Sim, eu.
Cena patética: meu pijama listrado com recentes pingos de café velho. Nunca um café velho gelado caiu tão bem. Literatura, ok. Geografia, ok. Tinha um simulado para fazer. Tenho o custume de me castigar, me por desafios: se tu tá com fome, Luíza, só vai ir comer quando terminar o simulado - e ter que acertar no minimo 15, viu? Senão vai fazer o simulado de história. Sim, morar sozinha tem essas neuras: a gente aprende a falar consigo usando a terceira pessoa. Conversa com os bichos de estimação, com os tenis velhos atras da porta, com a pilha de jornal. Hoje prometi para o meu lixo que eu o ia levar para fora, mas ai, nunca fui boa com promessas.
Drama: vizinho retardado. Retardado no literal, só pode. Ele passa o dia ouvindo musicas ridiculas, cantando e rindo a risada mais ridicula que já ouvi. Bom, hoje ele resolvei fazer uma lavagem cerebral. Quando já contava a oitava vez, consecutiva, initerrupta, de 'so what - pink' eu já pirava. Literalmente, surtei. Não conseguia me consentrar com aquele 'nãnãnãnãnãnãña, i wanna start a fight' - gente, troca o disco, pelo amor de Deus! Bastou isso para passar o dia de mal humor. Botei meus fones de ouvido, ao som de um trilha instrumental. Na troca de musicas, lá estava a insuportavel da Pink: vadia.
Amanhã é mais uma manhã para odiar o despertador. Para cehgar em casa vesga de fome e de sono. Para tentar estudar tudo que eu preciso estudar. Para sentir toda a angustia que eu vivo sentindo. Tomar café gelado. Para tentar resistir ao meu inimigo mortal (sono). Para suar na academia. Para morrer no banho. Para ligar o computador. Ou seja, amanha, mais uma vez, aquela voz irritante do meu celular vai me chamar para a rotina, algo que eu sempre critiquei, e sabe o pior? Eu vou respoder, fielmente, ao meu celular: estou indo. Vou dar bom dia para minha gatinha, dar bom dia para o jornal, tomar café quente (novinho) e pegar minha velha bolsa.
Ah, fiz 18 questões do simulado de geografia.