quarta-feira, 29 de abril de 2009

duffy

I'd move to Rockferry, tomorrow
and I'd build my house, baby, with sorrow.

I'd leave my shadow, to fall behind
and I wouldn't write to you 'cos I'm not that kind.

The midnight trains are boarding all wrap up 8s.
I pick my load and I fill my truck before its too late

I leave the stars to judge my every move ]
I'm not going to think of you, oh - I'd get the blues

There's no sleep on the journey away from time
a bag of songs and a heavy heart won't make me down.

terça-feira, 28 de abril de 2009

atonement

"Dearest Cecilia, the story can resume. The one I had been planning on that evening walk. I can become again the man who once crossed the surrey park at dusk, in my best suit, swaggering on the promise of life. The man who, with the clarity of passion, made love to you in the library. The story can resume. I will return. Find you, love you, marry you and live without shame. "

segunda-feira, 27 de abril de 2009

a primeira vez

Eduardo era um cara que sabia das coisas. Sabia o que queria, o que acreditava, que filmes gostava de ver. Eduardo tinha fama de ser bem decidido, independente e fiel com suas palavras. Eduardo dizia que tudo se baseava em princípios e que princípio é algo fixo na vida. Eduardo acreditava que todos podiam mudar de estilo, casa, carro, gostos musicais - mas quem mudava de princípios não tinha caráter.
Eduardo sabia qual era seu maior sonho: ser dono de seu nariz. Viver, estudar, viajar, morar - tudo com o suor de seu trabalho. Tinha o pecado da mesquinhez consigo, mas não negava nenhum favor à algum conhecido. Economizava ao máximo e Estava sempre se acumulando de trabalhos toscos e temporários de fim de semana. Eduardo queria ter dinheiro para ter o amor que se compra: o amor material. Seu amor material eram os seus vinis e os cuidava como pensava cuidar de seus futuros filhos que acreditava que teria quando conseguisse ter aquele tipo de amor que não se compra.
Eduardo não resistia a um "happy hour" - tinha sempre aqueles fiéis escudeiros de prontidão para uma reunião de emergência no antigo e eterno quartel general. Seu QG era aquele barzinho amigo, não tão limpo, não tão frequentado, com cerveja não tão cara e com cadeiras não tão confortáveis - mas os garçons, ah!, esses já sabiam qual hino por quando Eduardo e seus Soldados chegavam no fim de uma quente quarta feira: Breakfast In America era a pedida.
Foi então que ela entrou: meio que tropeçando, jeans sujo. Nunca tinha visto um cabelo loiro tão embarassado. Ela sentou numa mesa aos fundos, acendeu um cigarro. Chamou o garçom pelo nome e pediu uma cerveja barata. Eduardo não pode não sentir uma pontinha de raiva, ela sabia até o nome do seu garçom, "Meu garçom!", pensava Eduardo. Ela não parava de mexer no celular, olhos inchados. Suspirava, curvava a cabeça contra a mesa, bufava, tomava um gole brusco de cerveja. Paulo falava algo sobre como não estava mais aguentando seu professor de anatomia e que não conseguia parar de imaginar sua colega como o cadáver para examinar. Eduardo meio que ouvia, enojado, mas não conseguia parar de olhar pelo canto de olho para ela: ela o irritava profundamente. Aquele batom vermelho, borrado, aquela blusa que deixava grande parte do ombro esquerdo de fora, aquela mão suja que não parava de enredar mais aqueles cabelos... tudo aquilo o fascinava tanto! Claúdio, que já estava no seu segundo monólogo sobre a educação cinematográfica brasileira, cansado da indiferença de Eduardo deu um grito: puta merda!, esbravejou Eduardo que se levantou e caminhou em direção a mesa dela. Sentou do lado da loira. Ela o olhou de canto de olho, sem nem levantar o rosto, e ofereceu seu copo, sujo de batom, para ele. Ele analisou o copo, toda aquela cena nouvelle vougue, pegou o copo, não reconhecia que musica estava tocando, e encostou seus secos lábios no batom do copo. Ela reagiu, fixou seus grandes olhos nele. Foi a primeira vez que Eduardo sentiu-se hiptonisado por aqueles grandes olhos azuis, aprofundados em olheiras escuras e escondidos por uma maquiagem pesada.

sábado, 25 de abril de 2009

molha eu

seja eu, seja eu, deixa que eu seja eu e aceita o que seja seu então deita e aceita eu.
molha eu. seca eu. deixa que eu seja o céu e receba o que seja seu. anoiteça e amanheça eu.
beija eu. beija eu. beija eu. me beija. deixa o que seja ser então beba e receba meu corpo no seu corpo. eu no meu corpo. deixa. eu me deixo. anoiteça e amanheça eu.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

que faculdade o que

descobri meu objetivo 2010: Sair no CobraSnake em NY
bêbada, loira e linda
beijos

domingo, 19 de abril de 2009

domingo em uma fossa diferente

Estou arrumada. Maquiada. De lente.
Esperei alguma coisa surpreendente - vi filme, comi chocolate, terminei meu livro insuportável.
Abri uma cerveja. Estou tomando sozinha na frente do computador - Am Winehouse na trilha sonora.
Sinto-me adoravelmente perdida. Com o coração vazio, a cabeça sem ter com o que se preocupar. Essa cerveja desce facilmente, contrariando tudo aquilo que já acreditei. Começou a tocar uma musica que um dia escrevi para alguém em um pedacinho de papel. Ela não me arrepia mais - e não há mais nem pavor em dizer isso. Sirvo-me mais um pouco, o liquido cai em camera lenta. Quando eu sorvo, parece que eu sorvo algo a mais: algo que prova tudo o que eu perdi.
Sinto-me adoravelmente perdida: perdida de tudo aquilo que sempre moldei para mim, longe de todas aquelas mil pretenções, sonhos, ficções. Fundi-me em desejos momentaneos, calmante da carne e libertação da mente. Sirvo-me mais uma outra vez - achei nesse liquido um espirito igual ao meu: distante, prazeroso, acessível, limitado.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

escrevo sambando

Cheguei a conclusão que meus textos tentem a baixar o nível. Talvez nem tanto o nivel subjetivo, mas, quem sabe, o nível qualitativo. Escrevo geralmente com uma ou duas lágrimas no canto do olho, ouvindo algum Marcelo Camelo traído, um Damien Rice suícida ou uma Aimee Mann depressiva. Escrevia para por para fora todo aquele ódio que era então pano de fundo da minha história. Precipitei me com o "tem um lugarzinho para mim?" e entreguei-me com o "os hais e os hão de ser": ah, faça me o favor!
Ando sorrindo sem ter muito porquê. Não caminho, danço. Permito baterias, banjos e saxofones na minha trilha sonora. Não choro, canto. E qual é o melhor? Não há explicação! Sambo por gostar de alguém - gostar de mim. Eu, aquela sentimentalista que buscar uma razão de ser, não quero entender a minha felicidade. Fazia já tanto tempo que eu não acompanhava sozinha uma batida. Não quero conhecer a fonte desse calorzinho bom só quero ficar bem confortável nele.
Acho que só sei escrever frustrada. Por isso minhas palavras devem soar tão estúpidas, tão vãs. Aquele sentimento produtivo, a raiva, que me consumia todas as noites se espaireceu. Sabe aquele vazio? Está aberto para tudo novo, e quem sabe, pronto para aprender a escrever novas coisas.
Não há ninguém novo. Há várias novas personagens. Não há mudanças de lugares. Há uma total variação de cores no meu cenário. Minha fênix vibra um novo sol, tão mais intenso. Sinto-me apta para novas experiências, sinto que eu sei quem eu sou. Sinto que sei que não quero entender minha felicidade. É tão bom poder dizer "acredita que eu estou bem?" e saber que não estou enganando ninguém. Olha eu com de novo minhas balelas e minhas palavras infantis.
Sou infante nova; quero novos adjetivos: novo, dançante, crente, sedutor, pacífico, positivo, infinito.

lets put a smile on your face!


eu tinha que postar minha auto-destruição social
PS: os gatinhos adoraram!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

os ais e os hão de ser

...e todos os casais também
olha, só quem achou que nunca ia
esse ia se espantar de ver que o ódio e o amor, ou ou
e até eu vou - para ver no que vai dar

quinta-feira, 9 de abril de 2009

tem um lugarzinho pra mim?

É incrível as possibilidades. Sempre há algo lá no fim, quando não acreditamos mais. Quando menos se espera, uma mão se estende quando já cansamos de lutar contra as ondas. Alguém aparece sorrindo. Alguém oferece uma amizade e só pede em troca compaixão. Alguém oferece companhia e só espera sorrisos. Alguém, sei lá eu quem, vem, bem devagar, se acomodando naquele espaço vazio que havia no nosso coração, vai deixando ali seus pertences sem esperar nada além de um bom aconchego.
Vai, sem nem mesmo ouvir o nosso consenso, se acomodando até que, sem perceber, aquele vazio não arde mais.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Margo e Baby Jane

Bette Davis está me ajudando a editar minha personalidade.

terça-feira, 7 de abril de 2009

ei, não abusa.

Café presta sim.

domingo, 5 de abril de 2009

ao som de uma fossa de domingo

Eu sei que tu nunca vai me responder. Eu sei que nunca mais vou te ouvir. Eu sei que nem irás me cumprimentar. Eu sei que disse para nunca mais me procurar. Eu sei que disse que tuas coisas ficariam na portaria. Eu sei que disse que nunca iria te entender. Eu sei que tu falou algo sobre 'ser amigos'. Eu sei que na tua falta de noção (ou carater) tu veio me perguntar o porquê da minha raiva.
Eu sei que não existe mais nós. Eu sei que eu perdi o meu eu.
Alguém me ensina a aplicar na minha vida tudo o que eu sei?
Há alguém por ai que saiba me convencer que o que eu sei é o certo?

deve ser infeliz

Quando a via, ficava zonza. O que aquela inútil tinha de tão atrativo? Porque todos olhavam para ela? Aqueles gestos bruscos, quase toscos. Não conseguia ver nada além de grosseria, falta de elegância. Roupa justa, decotes. maquiagem pesada, mal feita. O cabelo, pensava, coitada. Por quê? Não conseguia encontrar nenhuma resposta. Por que ficava zonza quando olhava para ela?
Ela ria alto. Ela lembrava aquelas atrizes de manchete, que não eram tão belas, nem tão bem arrumadas. Ela conhecia todos e conversava com quem quisesse. Seus papos eram dos mais variados, mas todos vagos. Sabia um pouco de quase tudo, mas não era aprofundada em nenhum assunto. Conhecia nome de autores famosos e suas obras, mas não sabia de suas histórias. Tinha a capacidade de reconhecer o tipo de pessoa que conversava logo de cara: sabia qual seria o assunto que mais interessaria ou não alguém. Odeio ela, pensava, enquando admirava a capacidade com que aquela mulher, nem tão bonita, conseguia encantar o cara com que conversava.
Ela não deve ser feliz. Ela deve beber muito. Deve comer pouco. Não deve fazer nenhuma atividade fisica além de sexo. Ela deve fazer sexo com estranhos. Ela não deve saber o que quer da vida. Ela deve ficar se olhando no espelho e procurando defeitos. Ela deve chorar quando sóbria. Deve ser entediada. Deve ser burra. Tem que ser infeliz.
Tem que ser infeliz! Ninguém é tão dado para a vida dos outros assim! Ela está sempre com alguém, sempre com alguém diferente. Feliz sou eu, que sou seletiva. Feliz sou eu que namoro o mesmo cara a três anos; um amor estável, seguro, tranquilo. Conheço perfeitamente a vida de todos aqueles com que convivo. Feliz sou eu que não entrego minha vida para um conhecido do bar. Eu que não sou tão fácil. Eu que sou suficientemente reservada, timida e com principios. Eu que não bebo até cair, não seduzo até o sexo, não grito até o escândalo, não radicalizo até o limite.
Feliz sou eu que não vivo até morrer.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

eu sou fênix

" Vi tudo e não vi nada.
Quis tudo e não quis nada.
Queimei tudo e tudo tenho.
Perdi tudo e tudo consegui.

Cabe a mim, quem sabe: renascer
Cabe a mim, só eu sei: reinventar

Ardi nas chamas, ao ir. Da luz surgi, ao vir.
Não quis chorar, não quis gritar.
Só contemplar
Contemplar o recém-nascer de uma nova era. "

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ainda não encontrei ninguém que me entenda melhor que o Dylan

You say you love me
And you're thinkin' of me,
But you know you could be wrong.
Você sabe que pode estar errado. Todos nós sabemos. Integridade nas nossas próprias (desculpa o pleonasmo) atitudes é um privilégio de poucos. Queremos tudo e queremos agora. Tendenciamos à ambiguidade para não perdermos nada. Estar 'encima do muro' é uma vantagem partindo de que, a qualquer momento, temos algo nos esperando.
You say you told me
That you wanna hold me,
But you know you're not that strong.
Queremos um amor de cinema. Queremos sentir a trilha sonora aumentando de intensidade conforme nossos passos. Muitos querem, poucos animam-se a realizar. Amar que nem Jivago amou Lara é revolucionar. É se entregar, é mudar, é lutar, é perder, é ganhar. Hoje, preferimos só sofrer por amor por 98 minutos. Amor instantâneo não necessita de forças abissais.
I just can't do what I done before,
I just can't beg you any more.
I'm gonna let you pass
And I'll go last.
Pessoas cansam. Imaturidade cansa. Orgulho cansa. Egoísmo cansa. Prepotência cansa. Insegurança cansa. Dúvidas cansam. Insistir cansa. Tentar e tentar novamente cansa.
Then time will tell just who fell
And who's been left behind,
When you go your way and I go mine
Quem se entrega a uma relação, só ganha. Quem perde alguém que nunca valorizou, perde algo que nunca soube que tinha - perde mais, pois nunca sentiu de verdade.
You say you disturb me
And you don't deserve me,
But you know sometimes you lie.
You say you're shakin'
And you're always achin',
But you know how hard you try.
O mundo, desde que é mundo, tenta as pessoas para o egoísmo. O egoísmo é a melhor desculpa para as falhas humanas. É mais fácil dizer 'não sou bom o bastante para você' do que dizer 'não tenho força de vontade para tentar ser teu'. Mentir, fingir, tentar, não conseguir: conjulgue-os e terás a real motivo para um fim.
You say you're sorry
For tellin' stories
That you know I believe are true.
Eu acreditei nos teus romances. Eu acreditei nos teus poemas. Tuas poesias, tuas cartas, teus sinais. Dizer desculpa não ameniza a dor de se sentir enganado. Acreditei no 'eu te amo' e a partir daí declamei meus verdadeiros sentimentos por ti - e agora, era tudo só um engano? Algo momentâneo, eufórico?
You say you got some
Other kinda lover
And yes, I believe you do.
You say my kisses are not like his,
But this time I'm not gonna tell you why that is.
I'm just gonna let you pass,
Yes, and I'll go last.
Meus beijos não são iguais aos dele, pois os meus eram apaixonados. Apaixonados, sinceros, verdadeiros, fortes. Meu estar contigo era inteiro, era entregue. Dei-te toda. Cada pedaço meu era teu e cada arrepio era consequência do teu toque. Amor assim, maior que 98 minutos, amor de cinema, não é tão fácil de achar como você achou que era. Amor assim, igual o de Jivago por Lara, o de Christian por Satine, o de Cecilia por Robbie, o de Elizabeth por Darcy, o de mim por você, não é tão fácil de achar. Muitas pessoas nunca acham, outras nunca percebem que tinham.
Eu só vou deixar você passar,
Sim, e eu vou depois.
Most Likely you go Your Way and I'll go Mine
-Bob Dylan

veja bem, meu bem

enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

e eu nunca vou te esquecer amor,
mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.