Quando a via, ficava zonza. O que aquela inútil tinha de tão atrativo? Porque todos olhavam para ela? Aqueles gestos bruscos, quase toscos. Não conseguia ver nada além de grosseria, falta de elegância. Roupa justa, decotes. maquiagem pesada, mal feita. O cabelo, pensava, coitada. Por quê? Não conseguia encontrar nenhuma resposta. Por que ficava zonza quando olhava para ela?
Ela ria alto. Ela lembrava aquelas atrizes de manchete, que não eram tão belas, nem tão bem arrumadas. Ela conhecia todos e conversava com quem quisesse. Seus papos eram dos mais variados, mas todos vagos. Sabia um pouco de quase tudo, mas não era aprofundada em nenhum assunto. Conhecia nome de autores famosos e suas obras, mas não sabia de suas histórias. Tinha a capacidade de reconhecer o tipo de pessoa que conversava logo de cara: sabia qual seria o assunto que mais interessaria ou não alguém. Odeio ela, pensava, enquando admirava a capacidade com que aquela mulher, nem tão bonita, conseguia encantar o cara com que conversava.
Ela não deve ser feliz. Ela deve beber muito. Deve comer pouco. Não deve fazer nenhuma atividade fisica além de sexo. Ela deve fazer sexo com estranhos. Ela não deve saber o que quer da vida. Ela deve ficar se olhando no espelho e procurando defeitos. Ela deve chorar quando sóbria. Deve ser entediada. Deve ser burra. Tem que ser infeliz.
Tem que ser infeliz! Ninguém é tão dado para a vida dos outros assim! Ela está sempre com alguém, sempre com alguém diferente. Feliz sou eu, que sou seletiva. Feliz sou eu que namoro o mesmo cara a três anos; um amor estável, seguro, tranquilo. Conheço perfeitamente a vida de todos aqueles com que convivo. Feliz sou eu que não entrego minha vida para um conhecido do bar. Eu que não sou tão fácil. Eu que sou suficientemente reservada, timida e com principios. Eu que não bebo até cair, não seduzo até o sexo, não grito até o escândalo, não radicalizo até o limite.
Feliz sou eu que não vivo até morrer.
domingo, 5 de abril de 2009
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