quinta-feira, 1 de outubro de 2009

brasil, cadê a tua cara?.

É difícil ter orgulho consciente do Brasil, principalmente pelo fato que não faz parte do costume do povo. Podemos amar a Lapa, as praias do Rio, a fauna da Amazônia ou sei lá... a Iracema?!
Quando eu falo orgulho consciente é ter orgulho do nosso sistema interno. Sinceramente, alguém tem? As pessoas mais instruídas no nosso país tendem à desilusão ou à alienação. E, obviamente, nova população ignorante vota naquele que der mais cestas básicas ou botijões de gás. Não que eu seja contra tais programas de apoio desde que seja acompanhado e não simplesmente um sistema de escambo por votos. E ai chego onde queria: qual é o maior problema do Brasil? A educação.
A educação no Brasil é a origem de todos os problemas brasileiros. A 'des' educação, digamos assim. Na escola os pivetes aprendem mais é malandragem e o melhor jeito de se 'dar bem'. Mario de Andrade fez a melhor caritacura do povo brasileiro: Macunaíma, o Herói Sem Caráter. Macunaíma é o símbolo maior do 'jeitinho brasileiro'. O jeitinho do mais fácil, o jeitinho do mais rápido, o jeitinho do mais cômodo. Na escola, quantas vezes, as crianças tem educação social, política, econômica?
Eu digo: nunca. Apavora-me pensar o que devem ser os colégios estaduais e municipais já que vim de um dos colégios particulares mais tradicionais (e caros) da minha cidade e vejo que muito mais da metade tá 'nem ai' para o Brasil. Querem sair do colégio para entrar logo na faculdade para continuar fazendo festa, entrando no orkut, falando de futebol/carro/roupas e ganhar dinheiro. A parte chamada 'instruída' da nossa sociedade só quer ganhar dinheiro e morar em fortalezas enquanto o resto do nosso povo tá lá no morro usando drogas como uma saída e transformando os traficantes em Robins Hoods. Qual é o problema: educação!
Medidas de resolução? São lentas. Mas, em um país que todos visam o máximo prestígio pessoal de 4 em 4 anos (nosso mandato eleitoral) medidas para educação são quase que medidas altruístas. Altruístas? Sim, nossos políticos tem a mesma educação que nós - vale lembrar que eles vêem da mesma classe social que nós. E a maioria, como nós, foi instruída ao individualismo. Então, como aceitar alguém que reclame que 'todo o político é igual' e, ao mesmo tempo, se revolte quando um pobre menino qualquer lhe põe uma faca nas costas? Tudo é encadeado.
Tudo é encadeado a falta de educação. Um criança de favela que vê o traficante como 'o cara que trás algum dinheiro a comunidade' não terá incentivo nenhum de querer ser um trabalhador legal. Quando ele vê televisão, só ouve que os ricos roubam mais que os pobres e assim, que incentivo ele terá? Teria se estivesse numa escola descente. Com classes descentes, teto sem goteira e quadro negro inteiro. Professores poderiam ter mais autoridade se seus alunos tivessem algum interesse.
Quem criou o 'vagabundo' fomos nós. Quem criou os mendigos fomos nós. Quem criou a criminalidade fomos nós. E no Brasil, educar virou utopia logo, erradicação de problemas sociais também viraram utopia. Maior prova de tudo foi essa politicagem de reforma do vestibular. Eu já tinha arrepios ao pensar no sistema inconstitucional das cotas raciais e, com esse tal de 'novo ENEM', eu já acho muito difícil acreditar que um dia a educação brasileira pode melhor por vias da União. Várias vezes tive vontade de pegar um desses políticos desesperados por votos e sacudir-lhes o pescoço: REFORMA COMEÇA PELA BASE! E que pondo os menos privilegiados aonde o sistema educacional ainda é relativamente bom (faculdades federais) só prejudica tanto a faculdade quanto os próprios alunos. Reforme começa pela base, pelo amor de Deus!
Agora a politicagem foi maior: a oposição conseguiu comprar o gabarito do ENEM e descreditar a maior campanha política do futuro candidato do prefeito de São Paulo. Sinceramente? Achei lindo. Lindo porque agora, quem sabe, todos os víeis populacionais (que quiserem perceber) verão o quanto marionetes políticas nós mesmos nos transformamos.

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