ah, instabilidade... Ah, instabilidade - o que me faz ficar estavelmente humana. Graças a Deus, instabilidade. Por que não? Tem músicas que se eu ouvisse a uns meses atrás eu iria odiar, letras que se eu ouvisse semestre passado eu iria chorar. Músicas e letras que hoje me fazem rir dançando. Dançar rindo. Nada como um sono depois do outro. Nada como um sonho tomando o lugar de outro.
Hoje olhei para algo que eu sei que me faria mal. Que minhas amigas temiam que eu visse. Pavor, pavor. Mas não, eu só vi. Vi, analisei - achei erros de português. Nada mais. Não provocou uma dúvida, uma angústia - o que provocaria alguns sonhos atrás. Provocou risos, deboches. Mas só também. Incrível como coisas que eu esperei tanto tempo para ouvir hoje não ganham mais de vinte minutos do meu tempo para refletir. Até anteontem aquele letra arderia, hoje soa samba. Ah, instabilidade.
Hoje soa samba o que soava dor. Hoje é dança o que era lembrança. Nada como um sonho depois do outro, nada como um lápis de olho repassado encima de outro. Nada como um batom vermelho sobre a boca seca. É essa inconstância que nos faz consistentemente humanos - e, ah, que alívio: sou humana.
Ainda sou daquela espécie quase extinta que é meticulosamente descrita como intensa, forte e real. Eu sinto e ou digo ou explodo ou volto. Eu volto. Eu tenho meu tempo de recesso, meu tempo de lágrimas. Meus gritos abafados são alimento para minha força. Eu ainda digo que sou humana das boas: eu sinto sem precisar do manual fornecido pelas novelas e pelas propagandas comerciais. Eu nasci sabendo sentir, só sabendo sentir. Eu ainda sou madeira tosca e me nego a ser esculpida.
Quando vi os baques que enfrentei e percebo que não vou ser mais abalada eu olho para o símbolo disso que pus nas minhas costas: fênix. Para lembrar todo o dia: eu sou Fênix. Independente do que eu passar, eu acho alguma força. Eu morro. Eu nasço. Eu quebro meus discos, ouço novas músicas. Eu troco meu batom.
Instabilidade, obrigada por sem parte de mim.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
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