quarta-feira, 30 de setembro de 2009

aniversário

Esse negócio de aniversário me deixa nervosa. Esse negócio de metafísica me entristesse demais. Qual é a verdade de fazer anos? Mais um vivido ou mais um próximo do fim? Depende do animo do aniversariante. Aquele que está num tranquilo estado de espirito, não necessariamente em êxtase, mas que está tranquilo com o que tem provavelmente verá tal data como um ponto para rever tudo de bom que já aconteceu e levará com certa credibilidade aqueles tantos "tudo de bom pra ti" que se recebe de gente desconhecida. E quem está no meio do caminho? E quem não é feliz nem triste nem poeta? Como vemos essa data? Como acordar e ver que mais um ano passou sem trazer tantas resoluções, soluções, opções...? E quem não se sente nem bem nem mal, que tem aquela angústia no peito, aquele nó na garganta?
Não é uma questão de copo meio cheio ou meio vazio. Os olhos veem o mesmo copo. A perspectiva pode até ser outra, mas vemos o mesmo copo. Eu que choro nos aniversários quando acordo e tu que faz um café da manhã especial - nós vemos o mesmo copo. Você comemora tudo que já viveu? Eu não sei celebrar todo o tempo que julgo já ter perdido.
Pensar demais me arrepia o pescoço. Pensar que completo mais um ano e minha vida continua igual. Aparentemente diferente a cada ano, mas sistematicamente igual. Igual na minha insatisfação, no meu tédio, na minha náusea. Mais um ano que trouxe, talvez, coisas positivas mas o saldo ainda é negativo.
Não é uma questão de copo meio cheio ou meio vazio mas de quantos copos existem. Quantos já foram, quantos ainda virão? Quantos engoli a seco e quantos deliciei com prazer? Mas nenhum saciou minha sede. Nenhum. Minha sede vem lá de dentro e é enorme. O copo não precisa ser muito grande mas a água que irá me saciar, que eu ainda desconheço, tem que ser densa. Muito densa.

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