domingo, 24 de maio de 2009

quando o despertador grita

Conforme os dias passam, mais asco eu sinto pela voz do meu despertador. Nunca tive muito o custume de ter problemas ao acordar, tanto que por bons quinze anos meu despertador foi o grito meloso do meu pai lá do outro quarto. Essa sensação de 'me dá mais uns minutinhos' me irrita - atualmente, sinto um absurdo prazer em dormir. Sono para mim sempre foi algo controlável e não é mais - quando começa aquele piscar molengo, meio que desfocando o que eu to lendo, ou eu durmo, ou eu durmo. Quando acordo, olho para o relógio. Ah, quantas meias horas desperdiçadas! Ando com a idéia fixa da morte - não digo a minha, mas a morte de tudo que eu conheço como meu - e essa ideia associa com dormir demais: perda de tempo; perda de vida; morte.
Eram dez horas e eu ouvi aquela voz irritante: meu despertador gritava. A Satine, minha gata, me olhava com uma carinha de sono. Quanto toca o despertador tem sempre duas opções: desligar ou soneca. Se eu desligo e volto a dormir, inutilidade. Se ponho no soneca, na real não descanço mais (ninguém descança com o celular apitando de 5 em 5 minutos) e nem produzo algo - então, porque infernos eu fiquei clicando no soneca até as 10:25? Além de odiar o celular, eu fiquei o ouvindo cinco vezes, naquela malemolência ridicula. Quando eu paro e me analiso, nojinho tenho de mim por perder tanto tempo, tanta vida.
Mas quem infernos chega em casa as cinco da manhã, tonta do alcool, fedendo do cigarro, e põe despertador, num domingo (sim, despertador num domingo) para as dez da manhã? Sim, eu. Levantei. Nem me prestei a aquecer o café de ontem, foi gelado mesmo. Meu quarto, uma zona; meu cabelo, um ninho de rato. Dane-se, vou estudar. Tirar a maquiagem, comer e tirar as roupas do chão, só depois de estudar. Quem vai estudar com fome, suja e com ressaca (repetindo, cinco horas de sono) num domingo nublado? Sim, eu.
Cena patética: meu pijama listrado com recentes pingos de café velho. Nunca um café velho gelado caiu tão bem. Literatura, ok. Geografia, ok. Tinha um simulado para fazer. Tenho o custume de me castigar, me por desafios: se tu tá com fome, Luíza, só vai ir comer quando terminar o simulado - e ter que acertar no minimo 15, viu? Senão vai fazer o simulado de história. Sim, morar sozinha tem essas neuras: a gente aprende a falar consigo usando a terceira pessoa. Conversa com os bichos de estimação, com os tenis velhos atras da porta, com a pilha de jornal. Hoje prometi para o meu lixo que eu o ia levar para fora, mas ai, nunca fui boa com promessas.
Drama: vizinho retardado. Retardado no literal, só pode. Ele passa o dia ouvindo musicas ridiculas, cantando e rindo a risada mais ridicula que já ouvi. Bom, hoje ele resolvei fazer uma lavagem cerebral. Quando já contava a oitava vez, consecutiva, initerrupta, de 'so what - pink' eu já pirava. Literalmente, surtei. Não conseguia me consentrar com aquele 'nãnãnãnãnãnãña, i wanna start a fight' - gente, troca o disco, pelo amor de Deus! Bastou isso para passar o dia de mal humor. Botei meus fones de ouvido, ao som de um trilha instrumental. Na troca de musicas, lá estava a insuportavel da Pink: vadia.
Amanhã é mais uma manhã para odiar o despertador. Para cehgar em casa vesga de fome e de sono. Para tentar estudar tudo que eu preciso estudar. Para sentir toda a angustia que eu vivo sentindo. Tomar café gelado. Para tentar resistir ao meu inimigo mortal (sono). Para suar na academia. Para morrer no banho. Para ligar o computador. Ou seja, amanha, mais uma vez, aquela voz irritante do meu celular vai me chamar para a rotina, algo que eu sempre critiquei, e sabe o pior? Eu vou respoder, fielmente, ao meu celular: estou indo. Vou dar bom dia para minha gatinha, dar bom dia para o jornal, tomar café quente (novinho) e pegar minha velha bolsa.
Ah, fiz 18 questões do simulado de geografia.

Um comentário:

  1. é ele que anuncia que 8 horas de sono, ou de vida passada, em branco talvez, já se passaram.
    pior é a cama que dorme 16!!
    heheh

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