Não sou de publicar criticas, opiniões ou conceitos objetivos. Não sei comentar algo de um modo objetivo, mas não é bem isso o que quero. Não vou explicar a sensação que mais de 12 mil pessoas tiveram nessa terça-feira mágica. Não vou dizer o que achei da acústica ou o quando alguém estava afinado ou não. Vou transpor o meu subjetivo.
Chego as cinco da tarde, já há muita gente na fila, todos extasiados com a idéia de, em poucas horas, ver Oasis ao vivo. Oasis! Havia os fãs uniformizados e as patricinhas bem vestidas. Havia os tiozões como havia os gurizinhos. Marido e mulher de mãos dadas com sua filha adolescente e com seu filho piá. Rockers, Emos, Hypes,Mods, gente normal, gente estranha, gente bonita, gente feia - tinha de tudo. Quem gosta da banda não gosta de um estilo, gosta de uma qualidade.
Das seis da tarde até as oito e meia, aglomeradas numa multidão, enfrente ao palco - era a situação lindamente crítica que estávamos. Que orgulho ver meu Cachorro Grande abrindo o show - e espetacularmente. Que emoção, pelas dez horas, ver as luzes se apagarem. Liam, Noel e todos aqueles mestres. Lá. Ali. Aqui!
Todos cantavam. Todos se emocionavam. Todos estavam lá, no palco. Com o microfone na mão. Era quase que impossível não fechar os olhos para absorver a imensidão que tudo aquilo ali nos provocava. Eu não conseguia parar de sorrir. Nem a garota do meu lado, preocupada em discutir com qualquer um que por ela pasasse, me irritava - no fundo eu sentia pena dela que não conseguia passar pela transe que eu estava passando.
Êxtase. Todas aquelas luzes, todas aquelas vozes, toda aquela atmosfera: podia ficar ali por muito tempo. Meus pés não doíam mais, eu não sentia mais cheiros e não sentia mais empurrões. Eu estava lá no palco, perdendo minha voz. O ponto culminante foi quando Liam anunciou "Wonderwall" e aquela galera, em uníssono. Liam nem cantou - se dignou a bater palmas a uma platéia de devotos súditos. E Noel superou sua mal-difamada arrogância para mostrar sua admiração com os fãs de Don't Look Back in Anger. Lindo, nenhum adjetivo é mais simples e mais fiel.
Depois de cantar I'm the Walrus com tudo aquilo que ainda eu tinha na minha garganta, minha amiga, suada, fala "Estou lavada" e eu, inocentemente, respondo "Lavada está minha alma" - eu sentia aquele sorriso rasgar meu rosto. Encontramos o resto da turma, cada um no seu estado de choque. Fomos para um bar, tomamos algumas cervejas. em silêncio. Cada um na sua abstração. Um amigo, que ainda não tinha falado nada com nada, disse, rindo "depressão pós-oasis". Ninguém concordou, ninguém falou nada. Nós estávamos no lugar onde ninguém sabe se é dia ou noite. Estávamos, cada um do seu jeito, absorvendo tudo aquilo. Um se sentiam supersônicos, outros eram estrelas do rock'n'roll por um dia.
O importante é que todos sabiam, naquele momento, que somos parte do plano mestre.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
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me arrepiei!!
ResponderExcluirlindo.
realmente, no estado sublime na qual me encontrava naquela noite, nao permitiu nenhum nexo nas palavras ditas.
:P
beijo. Dio
"Era quase que impossível não fechar os olhos para absorver a imensidão que tudo aquilo ali nos provocava."
ResponderExcluireu continuei de "olhos fechados" após o show. hahaha
no notion, just emotions!!
beijo.Dio [2]