Brás Cubas morreu por causa de uma idéia fixa. Eu vivo em função delas. Quisera eu sentar num ônibus e dormir durante a viagem ou ir de um lugar a outro só observando a mudança de paisagem. Gostaria de não ser perseguida pelos tormentos que eu mesma crio. Fixo todos meus pensamentos em algo e crio milhões de histórias, casos, acasos. Não consigo pregar o olho, não consigo sonhar com balões vermelhos. Não consigo sossego. Por vontade do consciente que se homogeneíza com o inconsciente, eu não penso em algo diferente. É aquilo quando eu caminho, quando eu durmo, quando eu como, quando eu escrevo, quando eu sou.
Minha idéia fixa tem sido você.
Quisera eu que quando estivesse no escuro do ônibus eu dormisse e não ficasse imaginando tuas ligações, teu súbito aparecimento na minha casa (eu consigo achar uma possibilidade para descobrires onde eu moro, já que não sabes...). Toda a trilha sonora foi feita para nós e todos os passos que eu dou podem me levar ao nosso encontro. Dos nossos desencontros, me entretenho pensando o que poderia ter acontecido e não aconteceu.
Minha idéia fixa tem sido você.
Quem sabe de vez enquando tu não pensas em mim? Algo aqui dentro, que eu não sei mais distinguir o que é, me diz que tu reservas uns minutos do teu dia para mim. Para imaginar. Para criar o que não foi mais além. Talvez tu ficas pensando onde é minha casa e como chegar lá... Tem algo que mantem meu pensamento fixo, algo que me diz que sim. Fixo: sim. Fixo, sim. Fixo:
-Sim.
Quisera eu fixar meus pensamentos em algo mais produtivo. Podia fixar minha idéia em alcançar meus objetivos pessoais, profissionais, etc e tal. Mas tu sabes que eu não sou assim. O subjetivo me consome, me atraí, me encanta. O subjetivo me arrasta para a cama e me deixa sem dormir.
- Minha idéia fixa tem sido você.
- E a minha, você.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário