terça-feira, 12 de abril de 2011

um ciclo

Te desejei com todas as minhas ganas. Assim, sem vergonha, sem nenhum puder. Te quis sobre mim apertado, pele na pele, tua respiração quente perto da minha carne que tremia. De ti quis paixão à flor da pele, a qualquer momento, sem nenhum precedente, sem nenhum aviso prévio.
Te amei com todo o meu afinco. Assim, sem limites, sem nenhuma individualidade. Te quis do meu lado à cada segundo, ininterrupto, mãos dadas apertadas, longas conversas e muito chamego. De ti quis sentimento puro, cinematográfico, emoção segura de amor correspondido, sem nenhuma barreira.
Te confidenciei o meu mais escuro segredo, com minhas mais escondidas lágrimas. Assim, com muita dor e dedicação, mostrando a minha mais nua imagem. Te quis ombro fiel e ouvido amigo, dividindo comigo tanto os momentos mais felizes quanto os mais temerosos, sempre com um constante sorriso no rosto. De ti quis mais do que podias, ou deverias, me dar, exigi uma abdicação da paixão em troca da fiel amizade, que de cansada estava disposta a te dar.
Te ofendi com as palavras mais vis que me arranhavam por dentro, provindas de toda a minha raiva e desilusão. Assim, sem motivo aparente, tempestades e trovoadas em plena luz do dia. Te quis pedindo perdão por todos os pequenos detalhes, concordando com todas as minhas cruéis arrogâncias e mini-certezas. De ti quis humilhação, constante, desculpas infundadas e compartilhamento de sentimentos inexplicáveis.
Te implorei por uma nova dignidade, desejando retornar a um passado nostálgico, que de lembranças recentes doía. Assim, pedindo por algo novo, incompreensível, quis reacender algo que eu temia ter perdido para sempre. Te quis jogado meus medos contra a parede, com vontade, atos animalescos para sacudir a minha inércia. De ti esperava algo a mais para reviver o que já não existia, buscando, às cegas, encontrar algo já morto.
Te afastei dos meus braços, sem muito compreender por que. Assim, friamente e decidida que era o melhor para nós, morri um pouco na escuridão. Te quis, escondido, sofrendo em silencio o mesmo pranto que eu sentia calada. De ti quis distancia para poder respirar e cogitar num recomeço, mesmo que a dor sangrasse demais.
Te recordo com um sorriso dolorido no rosto, meio sentimental, meio maduro. Assim, relembrando o que foi bom e forçando para recordar o que me machucava tanto. Te quis passando por mim e me convidando para um café, contando as novidades após tantos anos de afastamento. De ti quis uma amizade impossível, que esquecesse todas as feridas, que mesmo já estando cicatrizadas, haviam deixado grandes marcas em nossos corpos.
Nos lembro com uma certa simpatia, percebendo a ingenuidade dos nossos olhos cegamente apaixonados. Assim, percebendo o quando aprendi conosco, tanto quando estivemos juntos na felicidade do amor, quanto quando estive sozinha aprendendo a me curar. Nos quis, então, como uma experiência boa, onde percebi os meus erros e reconheci várias das minhas incertezas. De nós, hoje, só sinto algo indiferente, algo que já passou, algo que me preparou para o tudo (e todos) que está por vir.
Obrigada.

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