sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Meu Bob Dylan

Meu caso de desejo incompreendido foi (é) um amor platônico pelo Bob Dylan. Eu amei o Bob Dylan e ele me amou, tenho certeza. Ele escreveu musicas para a Luíza, e junto comigo cantou Just Like a Woman (eu no backvocal, óbvio). Sempre que eu via um cara, procurava suas características dylanescas. Se não fosse crespo e magro, nem olhava pra mim. Voz fina? Cai fora. Passei um ano olhando para um cara que tinha o máximo que eu encontraria de Dylan. Ele cantava, fumava com a perna encostada na parede, era magéérimo (quase aidético, lindo) e tinha a voz mais blasé que eu já tinha ouvido. E amava a Bob Dylan. Uma tarde, botei o Blonde on Blonde e fiquei olhando para ele, sem camisa e de pés descalços, conversando com um mendigo. Era o amor da minha vida, era só ele me notar. Se ele quisesse, eu alisada o cabelo pra ficar igual a Joan Baez. Juro. Ai ele foi pra cama com uma amiga.
O tempo foi e eu achei outro Dylan. Ok, nunca o vi cantar e ele era baixinho. Magro e barbudo, tipo Dylan na época pós-gospel. Mas né, cigarro no canto da boca e pé na parede, só com os fones...seduziu. Bom, resumindo, esse deu certo. Deu certo até ali, quando éramos um deslumbrado pelo outro. Ele tinha aquele ar de não-sei-o-que e eu, bom, eu deveria ter algo que o fizesse louco por mim. Juntos, ele começou a estudar, ele começou a ficar amigo de 'gente comum'. Mas, ai, ele tocou gaita de boca pra mim (Comprou até um daqueles suportes, igual o Dylan). E, comicamente, foi ele que me apresentou o meu primeiro (e mais original) Dylan. Mas o meu único Dylan conquistado era verdade para mim. Até ele raspar a cabeça e ficar um hooligan. Até eu parar de me arrumar e usar a mesma camiseta. Estudamos juntos e paramos de ir no boteco sujo, íamos, só em fim de semana, no bar badalado da cidade. Estava tudo perdendo o encanto e eu já não era mais deslumbrada por ele, tinha começado a amá-lo: estraguei todo o nosso relacionamento.
Meu Bob Dylan não pegou mais no violão, ficou jogando guitar hero. Não leu mais Bukowski e sim o chato do Woody Allen. O cabelo ficou estranho, deixou de ter a magreza de doente e, chegou o verão.. acabou as mantas perfumadas e viram havaianas e bermudas! Deus! Meu Bob Dylan virou o Bleecker!

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